sábado, 19 de janeiro de 2008
Infra-Red.
Eu odeio formigas. De uns tempos pra cá deram de aparecer em casa. E não é que encontrei algumas no vídeo do Placebo? Pode uma coisa destas? Tenho algumas histórias sobre insetos que invadiram CPUs de computadores. E que tiravam o meu sono. Qualquer hora, conto alguma.
Assistam ao vídeo.
Assistam ao vídeo.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
Sombra Natural

Sombra Natural
bastou uma pincelada
e embebedada
de água raz
para destruir aquele
olhar de princesa
o rosto desfigurado
[imagética paisagem do acaso
pois à vista
o que de fato era
acontecimento fortuito
a mão pesada diante da tela
e aquele olhar de espanto
produziam epifanias
praquele mestre senil
de cabelos raspados
veio a renúncia
(abandono?)
caminhou alguns passos
pelo chão ladrilhado
desviando das manchas
de tintas
o velho de mãos trémulas
teria tido uma visão
diante da gigante tela
agora, ajoelhava para
agradecer ao
senhor
[acendeu seu
último cigarro antes
de dormir]
_umberto.alitto
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Pensamentos : provérbio sueco.
Hoje, li este pequeno provérbio direto do blog do Laerte. Eu sempre leio os blogs que divulgo neste "apodiforme". São blogs de conhecidos meus.
"Procure me amar quando eu menos merecer. Porque é quando eu mais preciso."
Provérbio Sueco
Blog do Laerte : http://laerteeomundo.zip.net/
O mais interessante disto é que eu vinha lendo no caderno Mais! deste domingo algumas entrevistas sobre uma série de traduções brasileiras de escritores russos. Em especial, uma matéria com o escritor Joseph Frank. Especialista na obra de Dostoiévski.
E hoje, incrivelmente, uma mulher sentou ao meu lado durante o almoço. Ela perguntou se eu era novo na empresa. Porque jurava nunca ter me visto. Eu tenho quase 10 anos de trabalho na mesma empresa. E passo despercebido às vezes. Talvez, seja o mal das grandes empresas, muitos funcionários. Ela me abordou de maneira simpática. Entretanto, parecia querer ouvir alguma coisa de belo, de humano. Conversei 30 minutos sobre religiões, em especial o Budismo e o Cristianismo. Depois, falávamos sobre relacionamentos humanos. Principalmente, das pessoas terem desaprendido a ouvir. Isto é, as pessoas ouvem aquilo que desejam e o resto passa como um sopro e descartam. Talvez, como na resposta de Joseph que copio abaixo, seja o ego das pessoas que criam tamanhas barreiras. E justamente aí é que somos incompreendidos. Quando o provérbio sueco acima comenta sobre o amor, este amor é aquele sentimento de compaixão, de entendimento mútuo. Não é carência afetiva, mas uma palavra amiga, um conforto. Infelizmente, o que mais ouvimos são cobranças. E o que mais encontramos no caminho são pessoas que projetam uma imagem de nós que nem sempre corresponde aos fatos. Exatamente, porque elas querem ouvir e ver aquilo que é convencional para suas expectativas, ambições e desejos. Eu não quero conversar com pessoas que querem tais projeções. Eu quero dialogar com pessoas para aprender, ouvir, ensinar, trocar idéias, assuntos banais, rir e chorar. Compreender e ser compreendido. E o resto é silêncio. Nietzche falava que todo primeiro discurso é carrecado de mentiras. É como duvidarmos sempre das primeiras falas proferidas por um estranho. Ainda assim, tenho a convicção de que as pessoas são o contrário de suas aparências. Tudo que dizem, quase sempre pode soar falso. Pois, parece que é um mundo de fantasias que tecem. Não estou dizendo que todo mundo é mentiroso. Não é isto. Estou dizendo que todos gostam que saibamos das qualidades apenas. Ou, projetam imagens que não correspondem com a real aparência. Por isto, já diziam que as aparências enganam. Eu venho fortemente trabalhando esta coisa das aparências. Tentar ser entendido, e nunca consigo. Exatamente, porque tem aquela questão que comentei sobre as projeções e ouvirem o que desejam apenas. E o resto fica a deriva. Seria tão simples a aceitação pura das realidades. Mas elas dõem. Uma amiga minha que muito estimo sempre diz isto pra mim. Sobre a dureza da realidade e do despreparo das pessoas em ouvi-las. Mas a amizade não é isto ? Como o provérbio diz ? Deste amor universal que tudo supera, que tudo perdoa, que tudo aceita ? Eu acho que culturalmente não estamos preparados. Mas se não sabe dizer uma palavra amiga, apenas um gesto. Se ainda assim não conseguir, então, que acenda uma vela branca em casa e reze uma oração para os amigos. O mundo seria melhor se todos nós mandássemos luz para nossos queridos. E também para todos que precisam. É tão simples amar ao próximo sem interesse algum. Sem criar barreiras. Eu tenho passado por experiências interessantes e difíceis. Tenho um amigo que adora encurralar seus amigos. Sempre que está em situações difíceis faz isto. É como aprisionar um animal numa cela por um tempo. Até que se tomem a decisão correta ou não. Ou partem para discussões. É tudo verborrágico, mas o final é sempre feliz. Entretanto, eu não sei porque reagem assim. Parece que o mundo é tão complicado. É tão cruel. Que as soluções sempre saem das dificuldades cultivadas da maneira mais difícil. Quando, de fato, bastava apenas compreensão, amor, fraternidade. Então, para todos nós que estamos em situações difíceis, vamos ouvir o provérbio sueco. Como um mantra. E fazermos dos dias mais felizes possíveis. Quanto ao Dostoiévski, fica a dica do caderno Mais! E que venham muitas traduções direto do russo para o nosso português. Sua sabedoria é tão incrível, difícil e sábia quanto tais religiões comentadas. Afinal, sempre aprendemos mais sobre a humanidade através da história. E os romances clássicos são compêndios fabulosos para tal estudo e compreensão.
O Senhor Dostoiévski
Especialista na obra do escritor, Joseph Frank, professor de Princeton e Stanford, fala a Aurora Bernardini sobre a proximidade entre o Brasil e o universo do autor de "Crime e Castigo"
PERGUNTA - Qual era o tipo de cristianismo de Dostoiévski? Qual é o significado do sofrimento na existência humana, segundo ele? FRANK - Não tenho certeza de o que significa perguntar "qual era o tipo de cristianismo de Dostoiévski?". Ele se considerava um membro fiel da Igreja Ortodoxa Russa, cujos dogmas, deve-se lembrar, são muito mais fluidos que os da Igreja Católica Apostólica Romana.Quanto ao significado do sofrimento na existência humana, é importante lembrar que Dostoiévski falava em "sofrimento moral", decorrente do fracasso em cumprir a lei de Cristo. Não se referia ao "sofrimento" causado pela privação material. No documento citado, ele escreveu que "o homem luta na terra por um ideal oposto à sua natureza", e esse ideal exige que sacrifique seu ego às pessoas ou a outra pessoa. Quando deixa de fazê-lo, "sofre e chama isso de pecado". Mas ele acreditava que esse sofrimento era "compensado pela alegria celestial de cumprir a lei, isto é, pelo sacrifício".
AURORA F. BERNARDINI leciona teoria literária e literatura comparada na USP. Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves .
Mais informações aqui --> http://www.folhasp.com.br/
"Procure me amar quando eu menos merecer. Porque é quando eu mais preciso."
Provérbio Sueco
Blog do Laerte : http://laerteeomundo.zip.net/
O mais interessante disto é que eu vinha lendo no caderno Mais! deste domingo algumas entrevistas sobre uma série de traduções brasileiras de escritores russos. Em especial, uma matéria com o escritor Joseph Frank. Especialista na obra de Dostoiévski.
E hoje, incrivelmente, uma mulher sentou ao meu lado durante o almoço. Ela perguntou se eu era novo na empresa. Porque jurava nunca ter me visto. Eu tenho quase 10 anos de trabalho na mesma empresa. E passo despercebido às vezes. Talvez, seja o mal das grandes empresas, muitos funcionários. Ela me abordou de maneira simpática. Entretanto, parecia querer ouvir alguma coisa de belo, de humano. Conversei 30 minutos sobre religiões, em especial o Budismo e o Cristianismo. Depois, falávamos sobre relacionamentos humanos. Principalmente, das pessoas terem desaprendido a ouvir. Isto é, as pessoas ouvem aquilo que desejam e o resto passa como um sopro e descartam. Talvez, como na resposta de Joseph que copio abaixo, seja o ego das pessoas que criam tamanhas barreiras. E justamente aí é que somos incompreendidos. Quando o provérbio sueco acima comenta sobre o amor, este amor é aquele sentimento de compaixão, de entendimento mútuo. Não é carência afetiva, mas uma palavra amiga, um conforto. Infelizmente, o que mais ouvimos são cobranças. E o que mais encontramos no caminho são pessoas que projetam uma imagem de nós que nem sempre corresponde aos fatos. Exatamente, porque elas querem ouvir e ver aquilo que é convencional para suas expectativas, ambições e desejos. Eu não quero conversar com pessoas que querem tais projeções. Eu quero dialogar com pessoas para aprender, ouvir, ensinar, trocar idéias, assuntos banais, rir e chorar. Compreender e ser compreendido. E o resto é silêncio. Nietzche falava que todo primeiro discurso é carrecado de mentiras. É como duvidarmos sempre das primeiras falas proferidas por um estranho. Ainda assim, tenho a convicção de que as pessoas são o contrário de suas aparências. Tudo que dizem, quase sempre pode soar falso. Pois, parece que é um mundo de fantasias que tecem. Não estou dizendo que todo mundo é mentiroso. Não é isto. Estou dizendo que todos gostam que saibamos das qualidades apenas. Ou, projetam imagens que não correspondem com a real aparência. Por isto, já diziam que as aparências enganam. Eu venho fortemente trabalhando esta coisa das aparências. Tentar ser entendido, e nunca consigo. Exatamente, porque tem aquela questão que comentei sobre as projeções e ouvirem o que desejam apenas. E o resto fica a deriva. Seria tão simples a aceitação pura das realidades. Mas elas dõem. Uma amiga minha que muito estimo sempre diz isto pra mim. Sobre a dureza da realidade e do despreparo das pessoas em ouvi-las. Mas a amizade não é isto ? Como o provérbio diz ? Deste amor universal que tudo supera, que tudo perdoa, que tudo aceita ? Eu acho que culturalmente não estamos preparados. Mas se não sabe dizer uma palavra amiga, apenas um gesto. Se ainda assim não conseguir, então, que acenda uma vela branca em casa e reze uma oração para os amigos. O mundo seria melhor se todos nós mandássemos luz para nossos queridos. E também para todos que precisam. É tão simples amar ao próximo sem interesse algum. Sem criar barreiras. Eu tenho passado por experiências interessantes e difíceis. Tenho um amigo que adora encurralar seus amigos. Sempre que está em situações difíceis faz isto. É como aprisionar um animal numa cela por um tempo. Até que se tomem a decisão correta ou não. Ou partem para discussões. É tudo verborrágico, mas o final é sempre feliz. Entretanto, eu não sei porque reagem assim. Parece que o mundo é tão complicado. É tão cruel. Que as soluções sempre saem das dificuldades cultivadas da maneira mais difícil. Quando, de fato, bastava apenas compreensão, amor, fraternidade. Então, para todos nós que estamos em situações difíceis, vamos ouvir o provérbio sueco. Como um mantra. E fazermos dos dias mais felizes possíveis. Quanto ao Dostoiévski, fica a dica do caderno Mais! E que venham muitas traduções direto do russo para o nosso português. Sua sabedoria é tão incrível, difícil e sábia quanto tais religiões comentadas. Afinal, sempre aprendemos mais sobre a humanidade através da história. E os romances clássicos são compêndios fabulosos para tal estudo e compreensão.
O Senhor Dostoiévski
Especialista na obra do escritor, Joseph Frank, professor de Princeton e Stanford, fala a Aurora Bernardini sobre a proximidade entre o Brasil e o universo do autor de "Crime e Castigo"
PERGUNTA - Qual era o tipo de cristianismo de Dostoiévski? Qual é o significado do sofrimento na existência humana, segundo ele? FRANK - Não tenho certeza de o que significa perguntar "qual era o tipo de cristianismo de Dostoiévski?". Ele se considerava um membro fiel da Igreja Ortodoxa Russa, cujos dogmas, deve-se lembrar, são muito mais fluidos que os da Igreja Católica Apostólica Romana.Quanto ao significado do sofrimento na existência humana, é importante lembrar que Dostoiévski falava em "sofrimento moral", decorrente do fracasso em cumprir a lei de Cristo. Não se referia ao "sofrimento" causado pela privação material. No documento citado, ele escreveu que "o homem luta na terra por um ideal oposto à sua natureza", e esse ideal exige que sacrifique seu ego às pessoas ou a outra pessoa. Quando deixa de fazê-lo, "sofre e chama isso de pecado". Mas ele acreditava que esse sofrimento era "compensado pela alegria celestial de cumprir a lei, isto é, pelo sacrifício".
AURORA F. BERNARDINI leciona teoria literária e literatura comparada na USP. Tradução de Luiz Roberto M. Gonçalves .
Mais informações aqui --> http://www.folhasp.com.br/
Lançamento : "Acordados – fragmentos"
Recebi este email delicioso da poeta Ana Rüsche e copio na sequência. Trata-se do lançamento do teu primeiro romance. Pela categoria da poeta, será uma obra indispensável aos leitores. Tem um vídeo no youtube onde vários amigos e jornalistas comentam sobre o romance. Quem for nos Satyros, encontramos por lá. Tentarei - de todas as formas - prestigiar este lançamento. Abraço, Umberto.
Acordados
– fragmentos
ana rüsche
www.acordados.wordpress.com
Lançamentos:
Dia 18 de janeiro de 2008, 20h (sexta-feira).
Espaço d'Os Satyros, Praça Roosevelt, São Paulo
- Apresentação por Juliano Pessanha
- Teatro Livro com "Os Satyros"
Dia 19.01.08 (sábado). Feira Moderna, a partir das 14h.
Preço nos dias 18.01.07 e 19.01.07: a preço de custo, R$ 5,00.
Preço normal: R$ 20,00
Acordados – fragmentos é romance publicado pelo Selo Demônio Negro. Retrata a vida "daqueles que estão de acordo, que varam madrugadas trabalhando ou em festas enlouquecidas, sempre em conformidade com regras e desejos, cujo cumprimento parece ser inexorável, inescapável". O enredo gira em torno de uma reunião de negócios sobre o entulho que restará da implosão de um presídio. Nas palavras de Alberto Guzik, "pode-se pensar em um assunto mais sombrio e banal? Que sinistra sociedade tem de fazer reuniões de alto nível para destinar o entulho do que um dia foi uma sombria prisão?".
DISTRIBUIÇÃO POR CONTRABANDO. E até agora 600 exemplares tiveram um destino incomum: serem contrabandeados afetivamente.
Com a edição contemplada pela pelo Programa de Ação Cultural (PAC), Governo do Estado de São Paulo, foi possível realizar o projeto "Distribuição por Contrabando": A autora convidou 60 colaboradores. Cada um distribui gratuitamente 10 exemplares a pessoas que normalmente não têm acesso a esse tipo de literatura. Os 'contrabandistas' assumem um papel ativo no projeto, pois fazem parte da própria história da publicação. Veja mais aqui: http://acordados.wordpress.com/distribuicao-por-contrabando/
ARTE DA CAPA. A capa da artista plástica Alessandra Cestac, fotos de João Wainer, também acentua a idéia de intervenção: são fotos que a artista já utilizou como lambe-lambes colados pela cidade, projeto Nua Na Rua ( http://acordados.wordpress.com/capa/).
LANÇAMENTO. O lançamento com leitura dramática pelo grupo de teatro Os Satyros (Projeto Teatro Livro) será uma ocasião de confraternização entre contrabandistas e leitores, com apresentação do Juliano Pessanha. Nos dias 18.01.08 e 19.01.08, o livro será vendido pelo preço de custo, R$ 5,00.
Acordados
– fragmentos
ana rüsche
www.acordados.wordpress.com
Lançamentos:
Dia 18 de janeiro de 2008, 20h (sexta-feira).
Espaço d'Os Satyros, Praça Roosevelt, São Paulo
- Apresentação por Juliano Pessanha
- Teatro Livro com "Os Satyros"
Dia 19.01.08 (sábado). Feira Moderna, a partir das 14h.
Preço nos dias 18.01.07 e 19.01.07: a preço de custo, R$ 5,00.
Preço normal: R$ 20,00
Acordados – fragmentos é romance publicado pelo Selo Demônio Negro. Retrata a vida "daqueles que estão de acordo, que varam madrugadas trabalhando ou em festas enlouquecidas, sempre em conformidade com regras e desejos, cujo cumprimento parece ser inexorável, inescapável". O enredo gira em torno de uma reunião de negócios sobre o entulho que restará da implosão de um presídio. Nas palavras de Alberto Guzik, "pode-se pensar em um assunto mais sombrio e banal? Que sinistra sociedade tem de fazer reuniões de alto nível para destinar o entulho do que um dia foi uma sombria prisão?".
DISTRIBUIÇÃO POR CONTRABANDO. E até agora 600 exemplares tiveram um destino incomum: serem contrabandeados afetivamente.
Com a edição contemplada pela pelo Programa de Ação Cultural (PAC), Governo do Estado de São Paulo, foi possível realizar o projeto "Distribuição por Contrabando": A autora convidou 60 colaboradores. Cada um distribui gratuitamente 10 exemplares a pessoas que normalmente não têm acesso a esse tipo de literatura. Os 'contrabandistas' assumem um papel ativo no projeto, pois fazem parte da própria história da publicação. Veja mais aqui: http://acordados.wordpress.com/distribuicao-por-contrabando/
ARTE DA CAPA. A capa da artista plástica Alessandra Cestac, fotos de João Wainer, também acentua a idéia de intervenção: são fotos que a artista já utilizou como lambe-lambes colados pela cidade, projeto Nua Na Rua ( http://acordados.wordpress.com/capa/).
LANÇAMENTO. O lançamento com leitura dramática pelo grupo de teatro Os Satyros (Projeto Teatro Livro) será uma ocasião de confraternização entre contrabandistas e leitores, com apresentação do Juliano Pessanha. Nos dias 18.01.08 e 19.01.08, o livro será vendido pelo preço de custo, R$ 5,00.
domingo, 13 de janeiro de 2008
Amazon Kindle
A Amazon lançou uma traquitana para ler livros digitais. Pode uma coisa destas ? Pode. Antes de mais nada, 10 anos atrás, a IBM havia feito experimentos com outra coisa maluca para "carregar" livros digitais e jornais eletrônicos. Só não tinha botões para navegação. Entretanto, a idéia era simples : uma pessoa comum, ao acordar, pegaria esta engenhoca (emborrachada, com tela de visor que possibilitava ser drobada igual jornal) e caminharia para seu costumeiro café matinal. Cercado de sucrilhos, cafés, chás, biscoitos e ovos mexidos, iria lendo suas materias legais neste pseudo-livro-digital substituto de qualquer-coisa-de-papel. Era a "morte aos livros", "morte aos jornais". Eu não vi este produto da IBM em lugar algum. Agora, andam dizendo por aí que os livros vão morrer, que todo mundo hoje em dia lê coisas na internet, que baixam livros digitais. Eu continuo vendo a mesma coisa : pessoas imprimindo textos e carregando papéis. Pois é, este KINDLE é outra engenhoca que eu não irei comprar a idéia. Eu só não sou bibliófilo por conta de grana e espaço. Entretanto, fica aqui uma confissãozinha : eu adoro entrar numa boa livraria, escolher livros que interessam, comprá-los e ler nas horas vagas. Ainda falando de uma década atrás, enquanto a IBM não conseguia lançar seu produto mundialmente, aqui em São Paulo nascia a estupenda editora CosacNaify. Que agora completou 10 anos. E, neste ano que passou, a livraria Cultura abriu uma loja de 5 mil metros quadrados ali no Conjunto Nacional (Avenida Paulista). Dizem que o brasileiro não lê, e dizem que o papel irá morrer. Eu não sei onde. As livrarias em SP pipocam em tudo quando é bairro, Shopping, esquina. Tem até bar e padaria que vende revistas, jornais e livros de arte. Isto é maravilhoso. Todo curso que a gente vai fazer, tem uma lista de livros pra comprar, e quando tem DVD pra ver ou CD para baixar textos, a maioria do pessoal não faz. Reclama que é demorado, que é chato, que é ruim, que a impressora está sem tônner ou acabou a bateria do equipamento. O papel não. O livro você leva pra onde quer, é gostoso, é história. Existe invenção mais romantica e gostosa do que livro ? A tipografia, a textura do papel, a letra impressa, as diferentes capas e cores, os formatos e pesos, o fato de acomodá-los na estante, ou deixar aquela pilha ao lado da cama e que vamos lendo devagar naquelas horas de insônia ? Eu sou apaixonado por vários tipos de técnologias. Antes de mais nada, um livro é um produto que é fruto de uso das técnologias. Não estou dizendo coisa manual, mas industrializada. Se depender de mim, passarei a vida toda lendo livros em papel, seja reciclado ou não. Se um dia proibírem a fabricação de livros, ótimo que ainda existirão sêbos. E o que é melhor, o livro em papel sendo extinto, quem tem terá o prazer de possuir obras raras verdadeiramente. Mas não penso nisto. Eu penso é que precisamos parar de comprar coisas compulsivamente apenas pelo modismo, porque é febre e é legal. Eu tenho miopia, não é nada grave, mas odeio ler coisas minúsculas na tela de um computador. Imagine, ler "Em Busca Do Tempo Perdido" numa traquitana que cabe na mão ? É muita nano-tecnologia pro meu gosto. E os amigos que tanto falam que o livro vai morrer, okay, cada um com seus sonhos e pesadelos. Afirmações e convicções de mais ou de menos. Eu, irei viver muito tempo e irei pagar pra ver. Quem irá vencer : o papel ou o digital ? Bons tempos virão, crêem alguns. Entretanto, ainda sou adepto do convencional. Estamos quites então.
Vejam a traquitana na sequência :
Vejam a traquitana na sequência :
FlickR : downtime
Passei o dia inteiro tentando acessar o site do FlickR e uma mensagem desoladora dizia que o site estava fora-do-ar devido aos "problemas técnicos". Alguém, que tentou migrar não-sei-o-quê, acabou gerando algo que indisponibilizou toda ferramenta (sites e afins). Que bom, fui ler o caderno "Mais!" da Folha na varanda do prédio. Acabei encontrando amigos e conversamos por horas seguidas. Ainda fui tomar um café na padaria e encontrei um escritor que queria vender-me um pequeno livro de contos breves. O escritor chama-se Claudio Feldman, estará vendendo este livro no próximo dia 20/01 na feira livre do Masp. Feldman é filho de fotógrafo e professor de literatura aposentado. Já publicou mais de 45 livros (contos, poesias, romances). É um senhor tagarela, simpático e fashion. Neste próximo sábado, ele vai enfrentar a maratona da Fashion Week para lançar seu livro. Uau, em plena "festa" de moda da Bienal? Parece piada. E eu, que ao invés de ficar em casa vasculhando meu perfil no flick ou carregando fotos novas (isto é, antigas. Minha camera ainda não voltou do concerto), acabei conhecendo um senhor genial. E ainda atualizei inúmeros assuntos interessantes com meus amigos. Eu não sei porque o FlickR ficou fora, fiquei pasmo! Nunca tinha visto isto. Vejamos : Pode uma ferramenta do Yahoo, empresa do conglomerado Google, e repleta de dinheiro e tecnologias ficar fora do ar ? Isto é coisa de hackers ? Duvido. É o mal das tecnologias. Que tanto ajudam quanto atrapalham, que tanto podem funcionar bem quanto mal. Talvez, um pequeno detalhe de planejamento, tipo aquela coisa impensada, que acabou acontecendo e pondo tudo abaixo. O que é de duvidar. Os projetos técnicos feitos em USA são à prova de falhas. Será ? Entretanto, continuo com minha angustiante tentativa de conectar no FlickR. Ainda bem que estou com uns filmes extras pra ver no DVD. Se nada acontecer, assisto aos filmes. Já que em Sampa tudo está cinza por conta das chuvas, nada como um bom cobertor e um balde de pipocas, em torno do sofá, vendo filmes. Ah, Ingmar Bergman, por favor.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2008
Para assistir no DVD.
O Baile (Le Bal)
É um filme homônimo de Ettore Scola e que acaba de chegar nas locadoras em DVD.
A história - adaptada para o cinema - conta um período de 6 décadas, dos anos 30 aos anos 80. A narrativa varre todo este período, sem um diálogo sequer, apenas músicas, danças e representação. O que não deixa de ser emocionante e curioso. A proposta é interessantíssima sobre a construção destas épocas. O salão nobre que acolhe os frequentadores, vai mudando suas características ao longo da história. Assim como, os personagens e seus figurinos. Ao que parece, durante o período das guerras, o salão serve de bunker ou refúgio para os frequentadores. Em outras épocas, como um lugar abandonado onde jovens estudantes e intelectuais faziam reuniões.
É impressionante como este filme e seus personagens nos cativam ao ponto de enxergarmos um pouco de nós mesmos. Eu ficava pensando como eu deveria ser naquela época e tempo. Como viveria em épocas durante uma guerra, durante a explosão do Rock, durante as revoluções estudantis, ou Maio de 68.
O filme mostra com competência tanto figurino de épocas, gestos e trejeitos, músicas e danças. Em alguns momentos do filme, parece que é dada bastante evidência ao comportamento pedante e esnobe das elites militares e aristocratas. Como um casal esnobe de milionários que vez ou outra entra na história, ou um general solitário e egoísta que não encontrando uma parceira, acaba dançando com seu comparsa. É de rir. Outrora, chega a ser depressivo. Estes arquétipos vão aparecendo na trajetória do longa, com alguns exageros dos personagens e algumas caricaturas. Fica evidente o trabalho de construção de arquétipos interpretados com naturalismo e outros beirando um realismo ora expressionismo. Existe uma cena onde entram uns rapazes bad boys, rockabilly generation, que parecem terem saído da banda The Cramps. Estes rapazes rockers quase destrõem o salão. E realizam uma bela performance no melhor estilo Elvis. Depois, insinuam uma briga : um segurando uma cadeira e outro segurando um tipo de chicote, realizando um duelo como se fosse entre um domador e um animal. Isto lembrou muito uma passagem do "8 1/2" de Federico Fellini. Um outro filme realizado 10 anos antes deste que comento. A cena que antecede esta dos bad boys é a melhor. Estas duas sequências creio que sejam a culminância do filme. Percebam um rapaz de bigode, sentado em um banco, de terno marrom e óculos quadrados. Depois de tomar café no pires (derrubando propositalmente da chícara), ele convida uma garota para dançar. Ela usa um vestido azul típico daquelas adolescentes dos anos 50. O casal dá um show dançando tango. Pra mim, a melhor dupla e número de dança do filme. O personagem retrata um homem com domínio e controle, com tônus e decisão, e a jovem se entrega ao comando, àquela ação.
Neste ponto, das aparências, comportamentos, ausência de diálogos, que o filme ilustra ricamente as personalidades distintas. E onde encontro parênteses. O que me chocou de certa maneira. Como são os relacionamentos aparentes. Como as pessoas reagem de diferentes formas apenas durante um baile, onde se vai para divertir. Elas conseguem fazer do evento algo maior. O que não deixa de ser um esboço para tais emoções. Me identifiquei com inúmeros personagens do filme. O que fez refletir sobre passado, presente e futuro. E os figurinos são magníficos. Vendo este filme dá vontade de fazer dança de salão. Que épocas ricas retratadas apenas dentro de um salão. A idéia foi genial.
Algumas curiosidades do filme :
Ganhou um prêmio César (versão francesa do Oscar) de melhor direção, filme e música em 1983. E Urso de Prata como melhor filme. Teve uma indicação ao Oscar como melhor filme estrangeiro.
Foi inspirado ( ou adaptado ) na peça “O Baile”, que é uma criação do grupo Théâtre Du Campagnol, criado por Jean-Claude Penchenat. Jean foi um dos fundadores do estupendo grupo teatral Théâtre Du Soleil (que esteve recentemente em São Paulo para apresentação da inesquecível peça Les Éphémères).
Jean-Claude Penchenat aparece no filme, dançando alegremente, é um personagem que usa óculos, cabelos grisalhos e um paletó estilo "espinha-de-peixe" com calça preta. Muito elegante e com total domínio de cena e dança de salão.
Fica aqui um pouco deste filme inesquecível :
É um filme homônimo de Ettore Scola e que acaba de chegar nas locadoras em DVD.
A história - adaptada para o cinema - conta um período de 6 décadas, dos anos 30 aos anos 80. A narrativa varre todo este período, sem um diálogo sequer, apenas músicas, danças e representação. O que não deixa de ser emocionante e curioso. A proposta é interessantíssima sobre a construção destas épocas. O salão nobre que acolhe os frequentadores, vai mudando suas características ao longo da história. Assim como, os personagens e seus figurinos. Ao que parece, durante o período das guerras, o salão serve de bunker ou refúgio para os frequentadores. Em outras épocas, como um lugar abandonado onde jovens estudantes e intelectuais faziam reuniões.
É impressionante como este filme e seus personagens nos cativam ao ponto de enxergarmos um pouco de nós mesmos. Eu ficava pensando como eu deveria ser naquela época e tempo. Como viveria em épocas durante uma guerra, durante a explosão do Rock, durante as revoluções estudantis, ou Maio de 68.
O filme mostra com competência tanto figurino de épocas, gestos e trejeitos, músicas e danças. Em alguns momentos do filme, parece que é dada bastante evidência ao comportamento pedante e esnobe das elites militares e aristocratas. Como um casal esnobe de milionários que vez ou outra entra na história, ou um general solitário e egoísta que não encontrando uma parceira, acaba dançando com seu comparsa. É de rir. Outrora, chega a ser depressivo. Estes arquétipos vão aparecendo na trajetória do longa, com alguns exageros dos personagens e algumas caricaturas. Fica evidente o trabalho de construção de arquétipos interpretados com naturalismo e outros beirando um realismo ora expressionismo. Existe uma cena onde entram uns rapazes bad boys, rockabilly generation, que parecem terem saído da banda The Cramps. Estes rapazes rockers quase destrõem o salão. E realizam uma bela performance no melhor estilo Elvis. Depois, insinuam uma briga : um segurando uma cadeira e outro segurando um tipo de chicote, realizando um duelo como se fosse entre um domador e um animal. Isto lembrou muito uma passagem do "8 1/2" de Federico Fellini. Um outro filme realizado 10 anos antes deste que comento. A cena que antecede esta dos bad boys é a melhor. Estas duas sequências creio que sejam a culminância do filme. Percebam um rapaz de bigode, sentado em um banco, de terno marrom e óculos quadrados. Depois de tomar café no pires (derrubando propositalmente da chícara), ele convida uma garota para dançar. Ela usa um vestido azul típico daquelas adolescentes dos anos 50. O casal dá um show dançando tango. Pra mim, a melhor dupla e número de dança do filme. O personagem retrata um homem com domínio e controle, com tônus e decisão, e a jovem se entrega ao comando, àquela ação.
Neste ponto, das aparências, comportamentos, ausência de diálogos, que o filme ilustra ricamente as personalidades distintas. E onde encontro parênteses. O que me chocou de certa maneira. Como são os relacionamentos aparentes. Como as pessoas reagem de diferentes formas apenas durante um baile, onde se vai para divertir. Elas conseguem fazer do evento algo maior. O que não deixa de ser um esboço para tais emoções. Me identifiquei com inúmeros personagens do filme. O que fez refletir sobre passado, presente e futuro. E os figurinos são magníficos. Vendo este filme dá vontade de fazer dança de salão. Que épocas ricas retratadas apenas dentro de um salão. A idéia foi genial.
Algumas curiosidades do filme :
Ganhou um prêmio César (versão francesa do Oscar) de melhor direção, filme e música em 1983. E Urso de Prata como melhor filme. Teve uma indicação ao Oscar como melhor filme estrangeiro.
Foi inspirado ( ou adaptado ) na peça “O Baile”, que é uma criação do grupo Théâtre Du Campagnol, criado por Jean-Claude Penchenat. Jean foi um dos fundadores do estupendo grupo teatral Théâtre Du Soleil (que esteve recentemente em São Paulo para apresentação da inesquecível peça Les Éphémères).
Jean-Claude Penchenat aparece no filme, dançando alegremente, é um personagem que usa óculos, cabelos grisalhos e um paletó estilo "espinha-de-peixe" com calça preta. Muito elegante e com total domínio de cena e dança de salão.
Fica aqui um pouco deste filme inesquecível :
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Mariluce
Dona Maria Lúcia. Mariluce. Era assim que gostava de ser chamada pelos conhecidos. Mulher de meia idade, vistosa. Sempre à procura de um marido. Isto é, um companheiro para dividir as amarguras da vida, suas tristezas ora alegrias.
Mariluce todos os dias acordava sempre às 5:15 da madrugada. Subia em seus saltos plataformas de sandálias anabelas compradas na 25 de Março. Vestia seu jeans justo, abotoado um pouco acima do umbigo. Coloria sua boca de vermelho ruge. Unhas esmaltadas de tom escuro. Sempre bem feitas pela manicure amiga. Usava camisas masculinas justas, de cor branca e abotoadas até o quarto botão. Pra deixar seus enormes seios sobresalientes. Era assim que ela gostava. De mostrar substância, corpulência e um rebolado frouxo. É pra não chamar muita atenção. Sacola de plástico numa das mãos. Pulseiras e anéis baratos. Fora apelidada de “crentona”, carinhosamente, pelos machos do boteco da esquina.
Do ponto de ônibus do centrão, Mariluce olhava atenta ao movimento dos passantes. Mexia nos anéis dos dedos. Sempre olhando de um lado pro outro. Não pode dar moleza. A região está infestada de trombadinhas. Tarados. Malucos. Gente à toa. Mariluce gosta de homens galantes, gentis, destes que dão bom dia. Sempre toma seu café com Sr. Juarez, que também é cartomante nas horas vagas. Paga 80 centavos pelo copo cheio e com pouco de leite. E bastante açucarado. Às vezes, pergunta pelo seu sígno. Gosta de ouvir uma boa notícia. Então, segue pro ponto. Nunca atrasa. E sobe no ônibus como num pulo só. O motorista, Seu Jorge, olha sempre pros volumosos seios de Mariluce. Depois, olhando na cara, diz : “Bom dia, Dona Maria Lúcia”. Ela responde educadamente, fazendo os lábios tremerem. Tem mania de falar pelo canto da boca. Hábito que herdou das madames do Alto da Lapa. Então, Mariluce caminha até o penúltimo banco, sempre vago. Indo sacolejando do centro até à Lapa. Os pedreiros, porteiros, nordestinos e todos que madrugam tem como passa-tempo ver Mariluce sacolejar. A atração é ver seus seios. Pareciam sempre que iriam saltar da camisa ou arrebentar os botões. Ela finge não perceber os olhares maliciosos. Estava decidida por encontrar um homem sério, gente boa, com dinheiro e profissão certa. Praqueles dali não dá bola. Responde educadamente quando alguém pergunta algo. Sempre com aquele trejeito de boca torta, trêmula.
Todos os dias, pela tardinha, costuma passar na Igreja “Templo do Bom Jesus”. Logo após o trabalho - que resume em lavar e passar roupas pras madames numa lavanderia do Alto da Lapa. Roupas sempre perfumadas. Mariluce acreditava que ser crente, religiosa, daria mais futuro do que aquela vida medíocre de passadeira. E ainda afirmava ser uma funcionária dedicada. Ia acompanhando a vida das madames pelos comentários diários na cafeteria. Elas chegavam, debruçavam no balcão de Seu Agenor, entregavam as encomendas e iam pro cantinho do café. Este fica perto do ponto de passar roupa de Mariluce. Ali, ela atualiza das novidades, das tintas de cabelo da moda, das cores de batom e esmaltes. Das mega liquidações da cidade. Inclusive, dos bailes da terceira idade e dos coroas que batem cartão nos bingos. Tudo comentário das madames. Ela faz planos. Tem pensado em juntar dinheiro para quando tirar férias, fazer um percurso pelos bingos à procura de um pretendente. Grana curta. Isto porque esta probre coitada mal consegue pagar sua conta de aluguel. Quiçá, poder juntar dinheiro para passear pelos pontos notívagos destes senhores da terceira idade. Coisa quase impossível.
Numa das idas e vindas de Dona Maria Lúcia da Igreja ou trabalho, ela resolveu conversar com Seu Jorge. O motorista. Tudo bem que poderia pegar mal pra Mariluce. No entanto, o busão estava vazio! Ela trocou dois dedos de prosa com Seu Jorge. Que ficou feliz e mais animado para trabalhar. Seu dia estava ganho. Como o busão estava vazio, Mariluce resolveu sentar do lado do cobrador. Um rapaz de quase 30 anos de idade. Espirituoso. Um pouco atirado. Mariluce não gostava de como ele olhava-te dos pés à cabeça. Sempre com olhar por cima dos óculos escuros. Apesar de chamá-la de Dona Maria Lúcia – depois de retornar o dinheirinho do troco.
Maria Lúcia não parava de prosear com o tal cobrador. Júlio César. Nome de imperador, rei. Ela pensava. Antes fosse. Era rapaz pobre. De periferia. Acreditava que iria casar com a moça mais linda da favela. “Uma pobre coitada”. “Condenada também a infelicidade de uma vida medíocre”. Maria Lúcia conversava, falava, mas a cabeça sempre atenta aos seus pensamentos maldosos. Não acredita que faz comentários maldosos dos outros. Na igreja, com o Pastor, sempre pede perdão pelos pensamentos errados.
Seu Jorge começou a ficar com ciúmes da sua “berinjela” crente. Era assim que o motorista tratava sua escolhida do busão. Por causa da cor dos esmaltes, do batom meio borrado e escuro, do corpo violão. Pele desbotada. De tonalidade jambo. Ele foi ficando com raiva e mais raiva. Olhando pelo retrovisor, via que o rapaz sorria. Aquilo pra ele era sinal de que o rapaz estava investindo na sua “berinjela”. Seu “jantar da meia-noite”. Sua predileta estava caindo nas graças de outro. Como assim?
Numa das curvas, Seu Jorge resolveu meter o pé no freio. Com toda força. Era pra arrancar o rapaz da cadeira e jogá-lo longe. O que não deu certo. Na freiada, Maria Lúcia foi de encontro com o rapaz. Meteu a fuça no meio das pernas dele. Caiu de cara. Borrando a calça do jovem de batom ruge. Bem próximo da virilha. Ela ficou uns segundos com o nariz atolado ali. Sentiu até um cheiro de homem. Ela levantou-se. Pediu desculpas pelo borrão. Queria passar a mão pra tirar a cor do batom. E, sem graça nenhuma, perguntou : “Seu Jorge, que desgraça é esta homem de Deus ?” Ele, furioso por conta do plano que não deu certo, disse que era um cachorro que entrou debaixo do ônibus. Era para não atropelar o coitadinho, então, resolveu frear mais do que devia.
Já era tarde demais para os planos de Seu Jorge. Mariluce, a crentona do ponto do Largo do Arouche, ficou enfeitiçada naquele instante. O golpe poderoso fora suficiente para fazê-la apaixonar-se perdidamente pelo alegre cobrador. Desde então, Mariluce todos os dias passou a sentar ao lado dele. Contando suas histórias. Dando o pulso pra ele cheirar seu novo perfuminho. Mostrando um novo corte de cabelo. Uma nova sandália. Um novo decote. E o moço foi mudando de idéia. E desistindo de sua outra amada da favelinha.
_Umberto.Alitto
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Loucos e Santos ... Sobre meus amigos.
Loucos e Santos
"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril." Oscar Wilde
"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta. Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril." Oscar Wilde
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Eça de Queirós é tema de debates no mundo

Eça em debate no mundo
A vida e a obra do escritor Eça de Queirós são o tema de um ciclo de conferências internacionais que vai decorrer, em 2008, em diversos países europeus, nos EUA e no Brasil. Este ciclo, liderado por Marie-Helene Piwnik, da Universidade de Sorbonne, em Paris, resulta de um protocolo assinado entre a Fundação Eça de Queirós e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. A primeira conferência será proferida, em Janeiro, na Universidade de Barcelona, Espanha, por Elena Losada Soler, estando prevista para Fevereiro uma outra de Marie-Helene Piwnik, na Universidade de Sorbonne. Já confirmada está também uma conferência de Lucette Petit, em Outubro, no Centro Cultural de Paris da Fundação Calouste Gulbenkian. (fonte: Diário Digital)
A vida e a obra do escritor Eça de Queirós são o tema de um ciclo de conferências internacionais que vai decorrer, em 2008, em diversos países europeus, nos EUA e no Brasil. Este ciclo, liderado por Marie-Helene Piwnik, da Universidade de Sorbonne, em Paris, resulta de um protocolo assinado entre a Fundação Eça de Queirós e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. A primeira conferência será proferida, em Janeiro, na Universidade de Barcelona, Espanha, por Elena Losada Soler, estando prevista para Fevereiro uma outra de Marie-Helene Piwnik, na Universidade de Sorbonne. Já confirmada está também uma conferência de Lucette Petit, em Outubro, no Centro Cultural de Paris da Fundação Calouste Gulbenkian. (fonte: Diário Digital)
sábado, 5 de janeiro de 2008
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