segunda-feira, 14 de julho de 2008

Calculadora para lei-seca

Recebi de um amigo, Fábio A., esta dica. Saiu no FolhaOnLine. Então, vc está saindo do escritório e ficou na dúvida sobre quanto poderá beber naquele beberama imperdível antes de dirigir ? Vai a dica.

"Recomendo a calculadora para os dias de HH."


Calculadora para lei-seca


Todo mundo anda preocupado com a nova lei-seca aprovada dia 19 de junho. Quanto posso beber antes de dirigir? Quanto tempo tenho que esperar?
Para sanar essas dúvidas está circulando pela Internet uma planilha que calcula quando você pode dirigir depois de beber. É só marcar seu peso, sexo, que horas começou a beber e o que bebeu. Pronto, a planilha mostra em gráfico e tabela os níveis de álcool no sangue. O UOL Tecnologia conversou com o médico Gabriel Andreuccetti, do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool, e ele indicou alguns ajustes na tabela (já realizados pelo UOL).
Segundo ele, a tabela não leva em consideração características individuais como genética e período menstrual em mulheres, mas realiza uma proporção perto do real da quantidade de álcool no sangue. Ele lembra ainda que a lei marca o limite de 0,2 decigramas de álcool por litro de sangue, mas que este número é a margem de erro do método, que o aconselhável é NÃO ingerir álcool antes de dirigir.
O nível de álcool permitido no bafômetro passa a ser menos de 0,1 mg de álcool por litro de ar expelido (ou 2 decigramas de álcool por litro de sangue). Para quem for pego no exame de 0,1 a 0,3 mg/l terá suspensão por um ano do direito de dirigir, além de multa de R$ 955 e retenção do veículo. Acima de 0,3 mg/l de álcool no ar expelido (ou 6 decigramas por litro de sangue), a punição inclui também a detenção do motorista (de seis meses a três anos). Antes, somente motoristas com mais de 6 decigramas de álcool por litro eram punidos.

domingo, 13 de julho de 2008

The Greatest

Eu não havia escrito nada sobre a morte de meu Pai. Ele se foi no dia 10 de Maio deste ano. Morreu de cancer aos 78 anos de idade. E ainda assim, um menino de coração e mente brilhante. Eu queria ser como ele. E somos tão diferentes. Eu tenho passado momentos muito ruins para poder contar aqui. Entretanto, alguns raros amigos tem apoiado nesta minha fase. Viver aqui nesta cidade grande, longe do lugar que nasci e cresci, longe da família, é muito difícil. E mais difícil ainda é fazer planos futuros. Principalmente, agora que tenho passado por um tsunami, creio que este reinventar-se tornará algo muito doloroso mas necessário.

Ao acaso, sempre ouço Cat Power. Sua vóz e suas letras que são poesias musicadas me agradam muito. Ouço quando vou dormir, quando estou quieto, em silêncio. Este vídeo logo abaixo mostra um rapaz perdido em seus lamentos, medos, tristezas. O mundo é feito de perdas e ganhos, é um total equilíbrio das coisas. Hoje, podemos ganhar muito, ganhar mais dos outros. Amanhã, estamos perdendo. Felizes são aqueles que conseguem o equilíbrio das coisas. Não que pareça sem graça. Talvez, a maturidade ensine mais aos que ainda não tem. Como disse um amigo meu, Rafael, à pouco : "e vejo que as pessoas perderam o sentido de enxegar as outras pessoas como OUTRAS PESSOAS, ou seja, uma soma da gente, outro universo, e passaram a tornar estas indiferentes a sua realidade...". Às vezes, sinto-me egoísta com tudo isto que estou passando e em não revelar ou queixar aos quatro cantos. Mas as nossas dores individuais, solitárias, existem para quê ? E o que podemos esperar dos que estão próximos da gente senão uma atenção? O egoísmo, talvez, sejam daqueles que não sabem doar um minuto de sua sabedoria e amor para consolar os que precisam. Eu sou um eterno doador de tempo. Sempre tenho tempo para as pessoas. E, talvez, este seja um estilo de vida. Ao que parece, como não somos heróis (até mesmo porque herói de verdade é herói morto e ninguém vai morrer pra provar o contrário), então, o que sobra é o humano. E eu acho tão belo estas fraquezas e fortalezas humanas. Eu admiro pessoas que tem estes talentos, ou que sabem lidar com as coisas mais difíceis da vida. Talvez por isto mesmo, hoje, admiro muito mais minha Mãe. E tenho admirado raros amigos que apropriam-se sabiamente de palavras e me mandam mensagens, me ligam, saímos e conversamos. Estou aprendendo a tornar, mais uma vez, uma outra pessoa. É como viver em postmortem. A gente vai virando várias outras coisas, e aquelas coisas que ficam para trás tornam-se fantasmas. Como o vídeo abaixo, de certa forma, tantas interpretações. Até, mesmo porque, a letra é bem surreal, de alguém que enfrenta qualquer coisa, mas que perde o controle de alguma maneira. E este perder o controle é exatamente para aquilo pelo qual não sabemos o que é. Então, heis a oportunidade em buscar compreender aquilo que ainda desconhece. Bom final de domingo.


Viva el ROCK !!!

Aproveitando a deixa, gostaria de postar algumas músicas aqui.

Em especial, David Bowie. Tenho um dvd muito bom da turne "A Reality Tour". Foi um show que ele fez no Central Park de Nova York, no final da turnê. A canção "Rebel Rebel" abre o show. Então, convido a ouvirem esta linda música, escrita pelo próprio Bowie.



Na sequência breve, não pode deixar de faltar The Beatles. O disco "Revolver" é de longe um dos meus favoritos. É o que eu chamo de disco novo. Diferente deste discurso da novidade. Veja, novo é aquilo que vem e fica. Beatles é assim. Igual obra de arte, pode ter 100 anos e continua moderno, porque é novo e não novidade.
Então, do disco "Revolver", descolei a exótica "Love You Too" e olha a mensagem ...



Pra ficar na média com opniões diversas, alguma coisa entre indie-rock e alternativos afins ... Que tal um Placebo com Pixies ? Ah, lembro-me do show do Placebo em SP, 2004. Inesquecível. Esta é demais, eu que me pergunto desde então : aonde está minha cabeça agora :



Finalizando, Sonic Youth com "Incinerate 03 do you", do ótimo cd "Rather Ripped".




Ps.: ando ouvindo muito "Viva La Vida" (or Death and all his Friends) ... Não, não é Rick Martin, risos. É ColdPlay. Aliás, muito bom e maduro este trabalho, com um ótimo encarte e uma capa belíssima.

sábado, 12 de julho de 2008

Antunes Filho (entrevista exclusiva).

Vejam este pequeno curta "editado" sobre algumas falas (falhas) do Antunes Filho em uma entrevista no Sesc Consolação. Os caras pegaram as coisas mais bizarras e editaram. É de rir. Com todo respeito a este grande encenador e diretor teatral, um verdadeiro mestre.

Aqui :


Verbo 2008 :: Na GALERIA VERMELHO (Isto vai ser bom,hein?)

VERBO 2008


A VERBO, evento de performance que ocorre anualmente na galeria Vermelho , chega à sua quarta edição apresentando 51 projetos que refletem o campo de tensão representado pela performance na arte atual. São fotos, instalações, performances, vídeos e stills de vídeo que apontam para a tentativa do artista de colocar em perspectiva um diálogo com o observador através do seu corpo. Elementos carnais da iconografia tradicional serão apresentados em contraposição à assepsia do cubo branco em trabalhos que sugerem a dependência, o cuidado, a necessidade de compromisso e de dominação. A seleção de trabalhos aponta também para o poder associado ao sagrado, ao profano, às rotinas do cotidiano e à dor infligida pelo homem a si mesmo e aos outros. Atos de violência, rotinas diárias de alimentação, respiração, reprodução e sexualidade que, por conta da natureza civilizada do homem não aparecem em público, especialmente em situações onde a tradição limita a liberdade individual. Além disso, a VERBO 08 apresenta também ações que abordam questões relacionadas ao estatuto da performance na arte atual, como, sua inserção institucional e no mercado de arte ; sua aproximação com outras mídias, e, por último, sua atual eficácia como instrumento crítico e de resistência ao sistema vigente. Para discutir tais questões, o Centro Cultural São Paulo em parceria com a Vermelho, criaram o seminário Verbo Conjugado que ocorrerá paralelamente às ações na galeria. Dividido em quatro dias, o seminário discutirá temas como, Performance e Documentação, Performance e Reencenação, Performance e Resistência Cultural, entre outros, e conta com a participação de artistas e intelectuais de várias áreas. Simultaneamente, o Mariantonia - Centro Universitário da USP, programou o curso Performance em Expansão que pretende apresentar uma análise da performance a partir de suas origens, abordando suas várias faces e articulações com outras práticas artísticas (mais informações abaixo).


Relação de artistas:: Amilcar Packer (SP), Ana Maria Tavares (SP), André Komatsu (SP), Cadu (RJ), Carla Zaccagnini (SP), Carlos Monroy (Bogotá, Colômbia), Cris Bierrenbach (SP), Farias & Mettler (Brasil, Suíça), 3D (SP), Daniel Fagundes (SP), Daniel Murgel (RJ), Fabiano Marques ( SP), FrenchMottershead (Londres, Inglaterra), Glaucia Mayer (RJ), Grupo Bijari (SP), Síssi Fonseca e Hugo Fortes (SP), Jaime Lauriano (SP), Juliana Notari (Recife), Laerte Ramos (SP), Leandro Lima e Gisela Motta (SP), Leya Mira Brander (SP), Lia Chaia (SP), Luiz Alfredo Guedes (SP), Manuela Marques ( Paris, França), Marcelo Cidade ( SP), Marcio Banfi ( SP), Marco Paulo Rolla (Belo Horizonte), Massimo Grimaldi e Sabina Grasso (Milão, Itália), Maurício Ianês (SP), Michel Groisman (RJ), Nicolás Robbio ( SP), OPÁVIVARA + Grupo UM (RJ), Rafael Assef ( SP), Renato Hofer (SP), Ricardo Carioba (SP), Rosângela Rennó (RJ), Rose Akras (Amsterdã, Holanda), SUPERFLEX (Dinamarca), Thelma Bonavita e Cristian Duarte ( SP), Tiago Judas (SP),Tiago Primo (RJ), Yiftah Peled (Florianópolis) e Yuri Firmeza (Belo Horizonte).


EXPOSIÇÃO:: VERBO 2008 PERFORMANCES:: DE 15 DE JULHO A 18 DE JULHO DE 2008, DAS 20 ÀS 22H30, 19 DE JULHO DAS 11 ÀS 20HEXPOSIÇÃO:: DE 15 DE JULHO A 09 DE AGOSTO DE 2008. Terças a sextas das 10 às 19 e sábados das 11 às 17h. ENTRADA GRATUITA.


HORÁRIOS E INFORMAÇÕES:: http://www.agenciaverbo.com/ e http://www.galeriavermelho.com.br/VERMELHORUA MINAS GERAIS, 350 - 01244010 - SÃO PAULO - TEL.: 11 3257 2033

sexta-feira, 11 de julho de 2008

HANDMADE (with LoveFoxxx from CSS)



Este curta-metragem (belíssimo) foi escrito e dirigido por Denis Kamioka , artista que tem em seu repertório experiências com designer e grafite. No teu site, http://www.cisma.com.br/ é possível visualizar outros trabalhos. Em Handmade, chamam minha atenção várias coisas. Não somente o cuidado artístico da direção de arte, das locações e fotografias belíssimas. Entretanto, curiosamente, a atuação de dois atores/cantores : LoveFoxxx do CSS e Dan Nakagawa (No Myspace). LoveFoxxx é conhecidíssima pela trajetória do Cansei De Ser Sexy, agora em carreira internacional. Creio que foi no extinto Bar Jive (Alameda Barros) que LoveFoxxx e sua banda começaram a dar os ares da graça, lá em 2004. Dan eu ainda não pude ver ao vivo. Mas andei ouvindo coisas por aí. O rapaz tem talento e pode ter uma boa carreira adiante. Quanto a história deste curta-metragem, basicamente, tratam de situações de amor, contadas de maneira surreal. O que mais me toca nisto tudo não é a separação, e sim, como cada um reage ao fato. Afinal, cada um de nós tem uma história de amor para contar. E no vídeo, é mais uma de tantas, porém, de uma forma minimalista, surreal e encantadora. Me surpreenderam pelo resultado, de uma qualidade muito boa.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Robin Finck (Antes e Depois)


Este acima é o Robin Finck na fase do Gun´s. Em sua curta-carreira.
Peguei esta foto logo abaixo do site oficial do Nine Inch Nails. Ao que indica, Robin volta ao seu visual "normal". Isto é, da fase antiga do NIN, quando usava vinil com preto, num visual mais andrógeno. Ou seria neo-gótico ? Prefiro que seja assim. Robin é um dos guitarristas que mais admiro. Espero que NIN volte logo ao Brasil.



Fernando Pessoa :: Álvaro De Campos




"As Almas São Desertas E Grandes"

Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.
Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.
Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,
Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
Para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.
Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.
Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.
Mas tenho que arrumar mala,
Tenho por força que arrumar a mala,
A mala.
Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre
o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.
Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.
Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
Hei de vê-la levar de aqui,
Hei de existir independentemente dela.
Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!
Mais vale arrumar a mala.

Fim.


(Álvaro De Campos)

Chrissie Hynde





Você resolveu partir e sinto muito por tudo.
Por todos que nos deixaram, deixam e deixarão.
No entanto, o que fica não serão apenas lembranças.
Existem certas cicatrizes que jamais sairão da gente.
Não escreva meu nome em teu corpo.
Porque eu já estive nele e você agora me rejeita.
De qualquer maneira, somos esquisitos à beça.
Segue em frente, então. E não olhe para trás.
Vai lá, prove de tudo que for possível, tudo mesmo.
E, depois, muito lá na frente, me conte suas histórias.
Estarei lindo para ouvi-las.
Serei como uma criança sentada na beirada da cama.
Com as mãos repousando em seus joelhos e meus olhos
brilharão.
Sabe, a gente passa tanto tempo mergulhados em nós mesmos.
Que esquecemos de olhar pro lado. E isto é muito ruim.
Sinto muito pelas decisões que cada um toma na vida.
Os rumos diferentes. O que vem pela frente.
Siga teu caminho em paz. Seguirei o meu.
Ainda que eu goste muito de tudo que aconteceu.
Daqui pra frente calo-me para não tropeçar nas minhas palavras.
Agora, preciso agoar minhas folhas secas ... e meu coração.
Sei que irá brotar algo novo em breve.
E isto me reanima.
Adeus e até breve.

(Umberto Al.)

"Repetition Kills You" é o título da canção.



Gostei mesmo da variação (?) temática dos bonés. Ouçam porque é bom. rsrsrs

terça-feira, 24 de junho de 2008

Weezer - eles voltaram ... "Pork & Beans"




O vídeo (no melhor estilo "marketing-viral" para internet)parece uma junção de muitas coisas que já se fez em clipes. Além de terem carregado nestes looks meio village people. Assim como, personagens passando-se por integrantes da banda, dublagens, danças performáticas, é tanta coisa prum vídeo só que poderei dizer apenas uma coisa : estratégia de marketing para lançamento. Não dá pra aproveitar muita coisa do vídeo não. E a canção é apenas boa. O foda é que o vídeo já tem mais de 600 mil views, vai entender. Quanto mais esquisito, melhor. Que o diga os clipes do NIN. Porém, a direção de arte/vídeo é outra coisa.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

É assim que se faz ...

Grupos culturais ocupam escola vazia na Praça Roosevelt
Keila Baraçal, Folha Online


Para tentar coibir a violência na Praça Roosevelt (Centro), onze grupos - entre teatro, cinema e literatura - decidiram ocupar as ex-salas da Escola Municipal de Ensino Infantil Patrícia Gouveia. Desde dezembro, o espaço serve como dormitório e ponto de uso de droga por pessoas da “cracolândia”. O trabalho cultural será feito, até que o prédio seja demolido e o projeto da nova Praça Roosevelt, concretizado. Alunos e professores foram transferidos ano passado para outro prédio, na rua Augusta. Para o dia 10 do próximo mês, está prevista uma festa de inauguração do espaço.
“Resolvemos ocupar o espaço para preservar a nossa segurança. Foi o meio que encontramos de a arte estar junto com o poder público e tentar eliminar a violência”, diz Ivan Cabral, ator integrante de Os Satyros. A depredação foi tanta que, no período de um mês, a praça estava sem luz - fios e lâmpadas já tinham sido furtados. Ameaças de outras depredações também são constantes - este era mais um motivo para a ocupação do espaço.
Ao todo, estão envolvidos no programa Os Satyros, Os Parlapatões, Cemitério de Automóveis, Dramáticos em Cena, Espaço Cenográfico, Teatro Oficina, Vertigem, Cim (Centro Informação Mulher) - de teatro -; Evaldo Morcazel, Kinoarte - de cinema - e Vacamarela - de literatura. Todos usarão o local para fazer ensaios, construir cenários, palestras etc.
O modelo de uso, no entanto, não está totalmente definido. Por ora, todos os grupos estão fazendo reuniões periódicas para decidir como ele será feito. A Prefeitura de São Paulo, segundo Cabral já está fazendo a limpeza das salas.


Fonte: Folha Online, Jornalismo Comunitário - Gilberto Dimentein, 29 de maio de 2008

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Renato Godá - Nada a Declarar (2006).

Ótimo vídeo do Renato Godá e banda. Soa alguma coisa sessentista, meio jovem guarda, meio beatles com dreads e visual gótico. Um Robert Smith com vóz de Tom Waits, cuja vóz agora branda e suave canta uma letra/música simples e poética. Nada a Declarar, entretanto, a concepção do vídeo ficou muito boa. A banda sempre afinadíssima e competente e Renato com seu talento e visual surpreendem sempre. Muito bom.

sábado, 24 de maio de 2008

Fórmula para um comercial inteligente e engraçado, existe ?

Comerciais engraçados ou bem sacados merecem ser relembrados. Aqui no Brasil, parece que temos um tipo de "ditadura" das mídias televisivas. Enquanto que na Europa os comercais são sensacionais, ousados e criativos. Isto é, um outro tipo de criatividade. Se no Brasil, mulheres aparecem semi-nuas nos comerciais de TV, então, porque não temos algo mais inteligente e com menos "apelo" do que tais estéticas do corpo ? Lembro de um comercial de uma marca de carro (Mercedez?) onde o motorista bate o carro num poste de sinalização, numa auto-estrada, somente para abrir o airbag e o motorista dar uma cochiladinha. Usando a bolsa como travesseiro. Era um comercial um pouco radical, mas feliz na proposta. Bom, segue abaixo o link. Divirtam-se ...




A Few Ikea Tidy Up Funny Ads - video powered by Metacafe

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O crepúsculo é este sossego do céu ...

O crepúsculo é este sossego do céu
com suas nuvens paralelas
e uma última cor penetrando nas árvores
até os pássaros.
É esta curva dos pombos, rente aos telhados,
este cantar de galos e rolas, muito longe;
e, mais longe, o abrolhar de estrelas brancas,
ainda sem luz.
Mas não era só isso o crepúsculo:
faltam os teus dois braços numa janela, sobre flores,
e em tuas mãos o teu rosto,
aprendendo com as nuvens a sorte das transformações.
Faltam teus olhos com ilhas, mares, viagens, povos,
tua boca, onde a passagem da vida
tinha deixado uma doçura triste,
que dispensava palavras.
Ah, falta o silêncio que estava entre nós,
e olhava a tarde, também.
Nele vivia o teu amor por mim,
obrigatório e secreto.
Igual à face da Natureza:
evidente, e sem definição.
Tudo em ti era uma ausência que se demorava:
uma despedida pronta a cumprir-se.
Sentindo-o, cobria minhas lágrimas com um riso doido.
Agora, tenho medo que não visses
o que havia por detrás dele.
Aqui está meu rosto verdadeiro,
defronte do crepúsculo que não alcançaste.
Abre o túmulo, e olha-me:
dize-me qual de nós morreu mais.

Cecília Meireles, Elegia 7.



Minha primeira lágrima caiu dentro dos teus olhos.
Tive medo de a enxugar: para não saberes que havia caído.
No dia seguinte, estavas imóvel, na tua forma definitiva,
modelada pela noite, pelas estrelas, pelas minhas mãos.
Exalava-se de ti o mesmo frio do orvalho; a mesma claridade da lua.
Vi aquele dia levantar-se inutilmente para as tuas pálpebras,
e a voz dos pássaros e a das águas correr,
- sem que a recolhessem teus ouvidos inertes.
Onde ficou teu outro corpo? Na parede? Nos móveis? No teto?
Inclinei-me sobre o teu rosto, absoluta, como um espelho.
E, tristemente te procurava.
Mas também isso foi inútil, como tudo mais.

Cecília Meireles, Elegia 1.