terça-feira, 10 de março de 2009













Por agora, deu uma vontade de voltar a morar no campo, num rancho, sítio ou chácara. [Dia destes, uma amiga minha que já é mãe (não esqueci, abre parênteses : dia 08 foi o "Dia das Mulheres"; Parabéns) diz que precisa ganhar dinheiro para comprar um sítio.] Pois é, quisera eu ter uma casa destas. Não aguento mais apartamentos.

segunda-feira, 9 de março de 2009

minha cabeça estremece ...

"Minha Cabeça Estremece"
Poema de Herberto Helder, lido pelo poeta.

Minha cabeça estremece com todo o esquecimento. Eu procuro dizer como tudo é outra coisa.Falo, penso. Sonho sobre os tremendos ossos dos pés. É sempre outra coisa,uma só coisa coberta de nomes. E a morte passa de boca em boca com a leve saliva,com o terror que há sempreno fundo informulado de uma vida. Sei que os campos imaginam as suas próprias rosas.As pessoas imaginam os seus próprios campos de rosas. E às vezes estou na frente dos camposcomo se morresse;outras, como se agora somente eu pudesse acordar. Por vezes tudo se ilumina.Por vezes sangra e canta. Eu digo que ninguém se perdoa no tempo. Que a loucura tem espinhos como uma garganta. Eu digo: roda ao longe o outono, e o que é o outono? As pálpebras batem contra o grande dia masculino do pensamento. Deito coisas vivas e mortas no espírito da obra. Minha vida extasia-se como uma câmara de tochas.
- Era uma casa - como direi? - absoluta.
Eu jogo, eu juro. Era uma casinfância. Sei como era uma casa louca. Eu metia as mãos na água: adormecia,relembrava. Os espelhos rachavam-se contra a nossa mocidade.
Apalpo agora o girar das brutais, líricas rodas da vida. Há no esquecimento, ou na lembrança total das coisas, uma rosa como uma alta cabeça, um peixe como um movimento rápido e severo. Uma rosapeixe dentro da minha ideia desvairada. Há copos, garfos inebriados dentro de mim.
- Porque o amor das coisas no seu tempo futuroé terrivelmente profundo, é suave,devastador.
As cadeiras ardiam nos lugares.Minhas irmãs habitavam ao cimo do movimentocomo seres pasmados.Às vezes riam alto. Teciam-seem seu escuro terrífico. A menstruação sonhava podre dentro delas,à boca da noite. Cantava muito baixo. Parecia fluir.Rodear as mesas, as penumbras fulminadas. Chovia nas noites terrestres. Eu quero gritar paralém da loucura terrestre. — Era húmido, destilado, inspirado. Havia rigor. Oh, exemplo extremo.Havia uma essência de oficina. Uma matéria sensacional no segredo das fruteiras, com as suas maçãs centrípetase as uvas pendidas sobre a maturidade. Havia a magnólia quente de um gato. Gato que entrava pelas mãos, ou magnóliaque saía da mão para o rosto da mãe sombriamente pura. Ah, mãe louca à volta, sentadamente completa. As mãos tocavam por cima do ardora carne como um pedaço extasiado.
Era uma casabsoluta - como direi? - um sentimento onde algumas pessoas morreriam. Demência para sorrir elevadamente. Ter amoras, folhas verdes, espinhoscom pequena treva por todos os cantos. Nome no espírito como uma rosapeixe.
- Prefiro enlouquecer nos corredores arqueadosagora nas palavras. Prefiro cantar nas varandas interiores. Porque havia escadas e mulheres que paravamminadas de inteligência. O corpo sem rosáceas, a linguagem para amar e ruminar.O leite cantante.
Eu agora mergulho e ascendo como um copo. Trago para cima essa imagem de água interna. - Caneta do poema dissolvida no sentido primacial do poema. Ou o poema subindo pela caneta, atravessando seu próprio impulso, poema regressando. Tudo se levanta como um cravo, uma faca levantada.Tudo morre o seu nome noutro nome.
Poema não saindo do poder da loucura. Poema como base inconcreta de criação. Ah, pensar com delicadeza, imaginar com ferocidade. Porque eu sou uma vida com furibunda melancolia, com furibunda concepção. Com alguma ironia furibunda.
Sou uma devastação inteligente. Com malmequeres fabulosos.Ouro por cima. A madrugada ou a noite triste tocadasem trompete. Sou alguma coisa audível, sensível.Um movimento. Cadeira congeminando-se na bacia, feita o sentar-se. Ou flores bebendo a jarra. O silêncio estrutural das flores. E a mesa por baixo.A sonhar.

Herberto Helder, Poemacto II
Fonte: Triplov

sábado, 7 de março de 2009

acontecimento: hoje, só amanhã.
poeta: Álvaro de Campos, by Pessoa.
objeto: livros.
arte: psicanálise. movimento de arte: Barroco.
verdade: faltar com a mentira.
mentira: faltar com a verdade.
música: minimalismo.
um dia: adeus.
rock: acabou.

palavras te dizem alguma coisa desde que sejam escritas de forma ordenada apesar daquelas outras que borbulham idéias na tua mente até o momento que você não consegue mais prestar atenção em nada e como um míssil fazendo pressão achado de consoantes e vogais sendo desenterradas do teu miolo e gritando nos teus ouvidos até que alguém até que o tempo até que o cansaço te devolva pro teu sono profundo e novamente você acreditará que uma criatura lunar fodida de horrenda e má pegou nos teus pés só para te acordar as 4:00 horas da madrugada e este calor sufocante em pleno mês de março é verão você está pensando sim é quase outono as roupas das vitrines estão outonais porém este calor que aquece o globo e seus ácidos para clareamento da tua pele hoje e ontém e a semana fez-se mais calor que dezenas de outros anos atrás exatamente hoje o índice de radiação aumentou numa escala de risco quando você homem bomba prestes a estourar seus miolos pelas palavras que repetem como poesia concreta pensou em pular do vigésimo andar acreditando que poria fim na história do rock e da poesia concreta porque ainda não encontrou o teu poeta predileto ou uma música que tocasse na rádio que fizesse você apaixonar-se novamente então pôs um ponto final da amizade no amor na loucura desta vida para viver sem fé porque deixou de acreditar num deus maior que tudo vê e tudo protege sim não sim não não quer mais acreditar nas palavras sábias da tua mãe desligou o telefone e seu computador não conecta mais na internet somente agora carrega as baterias do teu ipod para poder procurar e baixar músicas que te fassam acreditar que você irá encontrar novamente aquela canção que te faça apaixonar-se como pela primeira vez então tudo estará resolvido voltará as pazes com o mundo e as amizades e o amor e viverá sem problemas com a poluição o transito as guerras a faixa de gaza tudo livre e lindo e belo como o raiar do sol e novamente as palavras repetem na tua cabeça como capitalismo marx freud jung psicologia homeopatia compromissos depósitos contas débitos lucros dividendos e trabalho e trabalho e trabalho e jornadas de ir e vir vir e ir ao supermercado casa trabalho casa banco casa supermercado cama banheiro cama chuveiro cama geladeira privada pia guarda-roupa cuecas sexualidade calças camisas camisetas flores plantas árvores e você envelhece e você está ficando velho e chegando a conclusão que o rock acabou e aquela música que mudaria sua vida e faria você apaixonar-se de novo aquela música ela se perdeu sem você conseguir ouvi-la ela se foi dentre milhares de gigabytes da internet ela se foi e você nem percebeu e agora você em sono profundo vê alice no país das maravilhas e o coelho ele te percebe o coelho ele está querendo te dizer algo e novamente você acorda e tudo repete novamente tudo outra vez
"A Festa da Menina Morta", é o primeiro longa dirigido por Matheus Nachtergale. Terá estréia nos cinemas em breve. Eis um filme que gostaria muito de vê-lo. Linkei abaixo entrevista do diretor concedida durante festival de Gramado.

Público menos exigente que tudo aplaude ...

http://aplausobrasil.ig.com.br/materias/507501-508000/507686/507686_1.html

SÃO PAULO – Quando algo ao final de um espetáculo deixa a sensação de vazio, como se faltasse tempero para que ele fosse servido ao público, é inevitável a reflexão sobre suas ‘deficiências’. Três peças em cartaz – Cold Meat Party (Festa do Presunto), Macho Não Ganha Flor e Sexo Verbal –, as quais considero providas de algum valor, convidam à reflexão já que, ao sair da sala, senti: ‘algo faltou’.

Teatro com sabor de sitcom

Um dos elementos mais desconcertantes do espetáculo – e que, infelizmente, parece ser a tônica determinante da encenação de Cold Meat Party (Festa do Presunto) – diz respeito às inserções de vinhetas musicais separando as cenas e dando a sensação de que estamos assistindo um sitcom, ou seja, um seriado de TV como Friends numa ampliada tela que é o palco. Sem preconceito algum com sitcons – sou fã de Friends – mas, acredito que no teatro deve-se fazer teatro

O espetáculo não é de todo mal e, ano passado, quando o assisti no Festival de Curitiba, lembro de ter feito critica bastante indulgente sobre ele. O texto de Brad Fraser, autor canadense do qual conhecemos Pobre Super Homem e Amor e Restos Humanos, tem um humor cáustico e ferino, é povoado por personagens arquetípicos de centros metropolitanos e evoca temas absolutamente contemporâneos como sexualidade, AIDS, câncer e as eternas dicotomias vida/ morte, sucesso público/ frustração profissional, dinheiro/ felicidade entre outros.

Até aí tudo bem, mesmo ressaltando que Cold Meat Party (Festa do Presunto) traga em seu pano de fundo uma realidade bastante distante da nossa, como o são as cerimônias funerais em países de origem anglo-saxônica, o que cria uma fissura entre o realismo que a peça parece se propor a acentuar e nosso cotidiano a quem essa linguagem cênica deveria se dirigir.

A cenografia e a encenação – aqui vale um à parte de que o fato pode ter a ver com a falta de recursos satisfatórios para a ousadia da encenação ir mais longe na forma de contar a história – não vão além do trivial em sua concepção.

Contudo, um público menos exigente quanto às propostas artístico-estéticas encontra seu quinhão de divertimento em Cold Meat Party (Festa do Presunto).

“A moda” do teatro em edifícios não teatrais

Lembro-me da ensaísta, escritora e teatróloga Renata Pallottini dizer, em certa conferencia, que, talvez, um dos caminhos profícuos da nova dramaturgia brasileira seria um diálogo entre texto, encenação e espaço onde ela acontece. O problema é quando um dos tripés desse diálogo está fora de eixo e não há comunicação com o restante: aí a encenação em espaços alternativos perde seu caráter de experimental diálogo e entra no terreno do modismo, caso do espetáculo Sexo Verbal em cartaz no Casarão do Belvedere.

Embora o título leve a crer tratar-se de um espetáculo apelativo, de teor erótico e vulgar, Sexo Verbal é apenas o título referente aos temas dos contos, crônicas e outros textos que formam o conjunto da peça.

Aqui o primeiro problema: mesmo que a maior parte dos textos seja de autores do naipe de Hilda Hilst e Caio Fernando Abreu, com origem de qualidade insuspeita, não há um trabalho dramatúrgico que una as cenas e unifique o espetáculo.

O caos causado pela falta de dramaturgia ganha acento com uma direção confusa de Áurea Karpor, que realiza as cenas em ambientes sem ordenação com o processo orgânico do texto, ou seja, a condição de diálogo entre espaço e ação, tanto para maior adesão do público à cena, quanto para que não pareça que o Projeto Bazar almeje, tão-somente, aderir a um experimentalismo como se ele fosse moda, fica bastante prejudicada.

Como Sexo Verbal é o segundo trabalho do nascente Projeto Bazar vamos torcer para que as arestas do grupo sejam reparadas em espetáculos futuros.


Faltou dramaturgia

Um dos grandes méritos do autor curitibano Dalton Trevisan, a quem o espetáculo Macho Não Ganha Flor, em cartaz no Espaço dos Satyros 1, é a ousadia e originalidade com que retrata a sociedade curitibana. Sem concessões. Ampliando o olhar, comumente unilateral, de uma Curitiba sem problemas sociais. Não que eu esperasse, nem tampouco desejasse uma peça de temática social. Os próprios contos do Vampiro de Curitiba estão mais interessados em reflexões sobre o ser humano do que em qualquer outra coisa, mas como em Sexo Verbal, a ausência de dramaturgia deixa o espetáculo com jeito de retalhos sem remendo.

João Luiz Fiani dirige com destreza e economia o trabalho do ator Marino Jr. Que, apesar de precisar cuidar de sua dicção, consegue o muito através desse pouco, ou seja, o recurso que utiliza é seu próprio instrumento físico – corpo e voz – para criar os diferentes personagens que interpreta. Esperava uma interação mais criativa com o telão e os vídeos que compõem o repertorio audiovisual do espetáculo, mas compreendo que Fiani preferiu focar na força interpretativa em lugar de um dialogo com mídias suporte de encenação.

A iluminação de Beto Bruel e a trilha de Jader Alves contribui com o bom desempenho do espetáculo que só não alcança vôos maiores devido à quebradiça estrutura dramatúrgica.

sexta-feira, 6 de março de 2009

“O principal é não mentir para si mesmo. Quem mente para si mesmo e dá ouvidos à própria mentira chega a um ponto em que não distingue nenhuma verdade. Nem em si, nem nos outros e, portanto, passa a desrespeitar a si mesmo e aos demais.”
Do livro "Os Irmãos Karamazov", Dostoiévski.


O que Picasso, Van Gogh, Matisse ou Oscar Wilde tinham em comum ? Alguém deve estar se perguntando. Não é bem isto. Algum utilitário em comum ? Isto sim. E você pode ter um destes também. Atualmente, é um objeto de desenho ou uso de muitos escritores brasileiros, adeptos de cadernos de anotações. Alguns arriscam rabiscar suas criações em materiais como guardanapos, panfletos, folhas em branco. Por isto, é que esta iguaria - digamos assim – Moleskine, pegou tanto. Isto é de comer ? Alguém deve estar perguntando. Não é de comer, mas pode anotar também receitas culinárias. Moleskine é o nome de um tipo de caderno de anotações, com capa dura, folhas com cantos arredondados e feitos de papel acid paper resistentes a ação do tempo, dentre outras peculiaridades. E que é irresistível. Atualmente, existem vários modelos de Moleskine : dos notebooks para anotações até os incrementados “city notebooks” – estes funcionam como guias turísticos com mapas, agendas, datas de eventos culturais, podendo ser personalizados pelo usuário. No meu caso, uso um modelo de bolso, pocket notebook. Atualmente, estou tentando comprar um large notebook pautado ou liso de 250 páginas. O nome estranho Moleskine vem de herança por conta do tecido moleskin usado na capa. Contudo, já vi capas com diversos materiais impermeáveis e de couro. Tem inúmeros modelos no mercado que não são da marca italiana (em 2006, a empresa Moleskine foi adquirida por um grupo francês por mais de 40 milhões de euros). Porém, a maioria que tive acesso e que são imitação demonstraram uma qualidade muito boa. Os preços de um notebook moleskine pode variar, ficando numa média de US$25,00 dólares. Na rede de livrarias da Cultura é possível encontrar vários modelos originais. No vídeo a seguir, tour em um Museu de Berlim sobre uma exposição de Moleskines.


Encontrada em uma garagem em NY City, Maio de 2007

Esta outra parece pertencer a Ralph Lauren
.
Gostou? Considerada obra de arte sobre rodas, uma Bugatti Type57SC Atlantic (apelidada de Monalisa Automotiva), pode ser tua por módicos 82 milhões de reais. Só existem duas originais rodando no mundo e uma delas está na garagem de uma das mansões do estilista Ralph Lauren. O modelo T57 foi desenhado pelo próprio criador da marca, Jean Bugatti. E só foram comercializadas três unidades apenas. Uma delas foi trucidada por uma locomotiva. As outras duas foram garimpadas em duas garagens, uma delas em Londres e outra em Nova York. Pelas fotos divulgadas, encontravam-se em péssimo estado de conservação e foram restauradas. Eu fico imaginando, quanto entulho milionário não devem estar escondidos em mansões por aí afora? Pois é, parece que o tempo realmente faz bem para estas preciosidades. Quanto mais antigas, mais valorisadas. Valendo-se muito mais que um quadro de Miró ou Vincent Van Gogh. Apesar de tudo, creio que lugar de obras de arte é em museu. Com todo respeito aos colecionadores.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Joel Witkin






Prom Foto, Bogota (2008)
.
Muito interessante o trabalho de Joel Witkin  e que sempre instigou-me a pensar tantas coisas. É o tipo de arte que nos faz enxergar coisas que a sociedade tenta impedir. Ao invés de poluirmos nosso cotidiano com aqueles catálogos belíssimos de mademoiselles vestindo seus Gautiers, o que vemos na arte de Witkin são pessoas consideradas fora dos padrões impostos socialmente. Witkin também compõe seu universo fotográfico de obras consideradas "natureza morta". Claro, ele substituia o clássico objeto (frutas, flores, animais) tidos como "natureza morta" por pessoas mortas verdadeiramente, certos pedaços humanos como cabeças, membros e ia compilando num projeto final. Resultando numa somatória de coisas. Assim como, também participam de seus projetos pessoas com padrão de beleza diferente dos ditos "universais". Eram as minorias, pessoas deficientes, ora de beleza incomum. E com isto tendo um trabalho autêntico, forte, impactante, sem deixar de ser belo e poético. Alguns, indo além do convencional e causando repúdia, mal-estar para os olhares mais conservadores. Em certos trabalhos, podemos chamá-los de assemblages, Witkin parece inspirar em artistas como Picasso, Miró, Da Vinci, Magritti e Dalí. Compreender a obra de Witkin é tão vasto quanto compreender sua vida e o que levou um fotógrafo a visitar salas de autópsia onde realizava captura de imagens para seus trabalhos futuros. Algumas de suas fotos muito lembrou-me certos trabalhos do artista mineiro Farnese de Andrade, de quem sou admirador. Talvez, por conta das assemblages com materiais e fotografias. Hoje em dia é muito comum vermos clipes de artistas consagrados como NIN, Marilyn Manson, dentre outros, com inúmeras referências a estas artes tidas como underground. Pena que estes famosos não dão nomes aos bois. Porém, quem conhece a arte, mata a charada.


6o. dia da Flap2008

Demorou. Finalmente, o Kqi editou as imagens e fotos de um dia escolhido para fazer um tour pelo centro de São Paulo com poetas latinos. As fotografias e imagens eu concedi para esta edição. Ficaram muito boas. Foi um dia divertidíssimo e muito rico. Maiores detalhes das imagens e fotos vejam aqui.

quarta-feira, 4 de março de 2009

A ícone fashion Sienna Miller ataca de doida neste curta-metragem, que é um clipe do The Hours, See The Light. Sienna além de modelo, é atriz e carrega o título de "destruidora de lares". Leiam a biografia dela aqui para entender. O clipe é genial, direção de arte do competente e multimilionário Damien Hirst - artista britânico líder do grupo Young British Artists. Então, assistam ao vídeo. Quem não queria dar uma de doente, invadir uma daquelas lojas chiques da Oscar Freire e fazer uma performance destas? No final das contas, See The Light, flerta com o dia-a-dia de uma pessoa com transtornos psíquicos. E que vê o mundo de forma diferente. Qual forma? Pergunte a quem sofre de algum transtorno. Por um lado, feliz de quem não vê a realidade como ela é. Nos tempos atuais, dar uma de louco até que faz bem pro espírito. Pena que o Santiago postou no blog dele que não gosta de gente maluca. Eu adoro gente maluca. Afinal, de louco todo mundo tem um pouco.

SÃO PAULO : Meu professor, curioso, perguntou que livro eu lia tão compenetradamente por meia-hora seguida. Num intervalo de uma aula e outra, peguei com este da Eunice Arruda, "Risco" poemas. A foto da capa é linda, trabalho de Yuri Bueno. As ilustrações contidas nas páginas entre poemas é de Véronique Filosof (Bible en Images, 1957) e lembram xilogravuras. Já escrevi num post anterior sobre o que acho da obra. Recomendo.
"Eu gosto do meio. É no meio que os extremos colidem e a ambiguidade governa implacavelmente."

SACIEDADE BIOGRÁFICA
Eunice Arruda

tenho andado sem pés
voado sem asas
Sou um sonho espalhado
.
Os rios recebem minhas cartas
com frequência
facas me apontam o coração
.
O que poderia dizer
(os pássaros já cantaram)
o que poderia amar
(os amantes se suicidaram)
.
Os assassinos conhecem o meu nome
...
Nota: sempre leio a poesia de Eunice Arruda. Em especial, adquiri o livro "Risco" poemas no ano de 1999. Por isto, fazem 10 anos que sempre recorro aos poemas desta seleção. Diria que Eunice instiga minha criatividade a seguir um caminho semelhante para a poesia. Seja no gosto, na escolha das palavras, quanto na maneira peculiar de criá-los. Ela é uma artesã das palavras. Suas frases são simples e somadas criam histórias ousadas, sentimentos singelos e honestos, inteligentes histórias, e vai descrevendo um cotidiano com riquezas, como que recebendo efeitos de uma vida fértil de quem sabe observá-la e sentí-la. Este poema acima, do livro "Risco", passou-me agora o que ando sentindo. E realmente ando passando por situações, e aventuro como quem salta de paraquedas sem proteção.

Missing Cleveland





"Missing Cleveland", é o mais novo trabalho solo de Scott Weiland. O resultado saiu muito bom. Estando o som do STP nesta linha, o trabalho paralelo ficará magnífico. Exatamente, pela vóz de Scott ficando cada vez melhor. Claro, as ditas "baladas" tanto quanto comerciais fazem necessárias num bom disco de hardrock. E os músicos do FTP realmente são criativos. Só achei o vídeo um pouco patético. Parece coisa de cineasta linha B de hollywood. A casa não tem nada de novo, qualquer milionário em Hollywood e Los Angeles tem uma casa destas no subúrbio (geralmente, fincada num morro), e a arquitetura anos 50 não traz nada demais. Fora esta mania de pôr uma luz estourando tudo, numa iluminação hora lúcida, hora chapada. Gostei dos adereços, objetos cênicos, ótimo trabalho de direção de arte. Imagino que o personagem "astronauta", meio cientista, é mais um excentrico milionário do que nerd pesquisador. Só mesmo o Scott pra segurar esta bela música e ele faz um ótimo personagem. Pudera, nem a atriz - que faz-se de empregada ou "esposa", passa um arquétipo fiel ao personagem. No geral, isto dá uma idéia prum longa metragem. Exatamente pelo cenário. A música está no site oficial de Scott e complementa com mais outra canção pro suposto álbum "Happy".


VISITA


ela entrou
.
sinto-me inquieto
e ainda concentrado
prostrado diante
desta tela
tento esquecer do
tempo do
calor
é que não fico bem
com a tua presença
.
subiu pelas paredes
.
[estava querendo atenção]
eu não ligo para insetos
fiquei lento, devagar
tomei pela fadiga
acho que é a
idade ou é doença
da mente
ando esquecendo das
contas sobre a geladeira
a desculpa que
precisava
para não morrer
de tédio
agora,
era para concluir
esta tela
.
e mesmo antes de
tudo abacar
- e tudo acabou
ela desapareceu

terça-feira, 3 de março de 2009

Pare de arrumar desculpas ...



Eu nasci pobre.
Fui criado sem pai.
Fui pedreiro.
Fui sorveteiro.
Eu andava na rua
e as pessoas
mudavam de calçada.
Eu me converti ao islamismo
num país católico.
Escolhi o salto triplo
na terra do futebol.
Eu podia ter desistido.
Pare de arrumar desculpas.
Jadel

domingo, 1 de março de 2009

As toalhas imundas ... e o Carnaval passou.


Parece que Miami vive mesmo como num seriado de tv: vai da ficção ao policial e da comédia ao drama. E Hollywood é logo ali na esquina minha gente. Um amigo meu que vive na Espanha disse que a crise por lá está brava, mas muito brava que tem gente até calotando apê. Salve-se quem puder. E Almodóvar continua no alge. Pois é. Enquanto isto, no carnaval americano, os jovens sucumbiram. Ps.: A foto acima é meramente ilustrativa.

Já esta peguei no blog do Gerald :

"A estimativa para mortes por overdose para esse fim de semana em Miami: 25 jovens entre 18 e 25 anos e 10 assassinatos relacionados a drogas."