Já caminhei madrugadas inteiras em busca de algum lugar que fizesse sentido para acalmar a minha insônia. Sentar num balcão de bar, padaria, anexos e pedir qualquer coisa pra enrolar o tempo. Deixar a noite seguir seu rumo. Até ouvir o galo cantar. E se não ouvir galo algum, que sejam as buzinas dos carros ou as badaladas do sino daquela igreja da Sé. Caso não ouça mais nada, é sinal que perdeu os sentidos. Voltar perambulando pelos calçadões, feito zumbi ou coisa parecida. Desviando dos pombos, das pessoas dormindo pelas calçadas , dos gatos revirando latões e sacos de lixo. A cantilena dos vendedores começa tão cedo que é impossível acreditar no horário que devem acordar. Os primeiros cheiros de cafés das padarias. E daquelas carnes sendo assadas pra virar sanduíches de dois reais. Barulho de portas de latão subindo. É o comércio abrindo os olhos pra ver o dia que acorda. Se pela madrugada existe comércio, com certeza, não é o mesmo tipo de serviço que vemos durante o dia. O ziguezague dos pedestres, aflitos, com hora marcada, cartão de ponto, mochilas, querem chegar ao trabalho. Caminhando. Vou caminhando. Os pés já não aguentam o calor do sol e das meias quentes. Antes fosse noite, tudo frio, corpo quase congelando. Os olhos secos, esbugalhados, a boca seca, o nariz igual um deserto de areia, a pele igual talco em porcelana. No caminho de casa é sempre a mesma coisa. Parece todo mundo igual. Gente família. O porteiro na sua casinha, folheando as últimas manchetes, ele distrai antes de entregá-las pros inquilinos do condomínio. O faxineiro lavando os calçadões e aguando plantas. Os moradores saindo em busca de suas rotinas diárias. Entro sem falar com ninguém. Só dou bomdia quando é preciso. Vou caminhando até os elevadores de madeira. Cheiram mofo e pinho. Igual caixas de figo em conserva. São decorados com alguns rabiscos pornográficos que algum qualquer fez. Aperto logo o 7º. andar. Pra chegar mais rápido. Vou logo abrindo a porta, entrando naquele apartamento que desconheço ser meu. Nunca tranco a porta. Ela sempre fica apenas encostada. Fechada. Porém, sem estar trancada. Quase nunca percebo estas coisas. Creio que a insônia me deixou com problemas demais pra resolver pelas madrugadas. E trancar uma porta é o menor deles. O mais insignificante. Agora, olho pra parede e vejo em um canto estes pares de tênis brancos. Estão na fila para serem lavados. Um dia. Quem sabe. Lavarei todos que estejam nos cantos. Sujos. Pisados. Lavá-los também é um dos problemas de menor significância. As madrugadas ainda são meu maior problema!
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Já caminhei madrugadas inteiras em busca de algum lugar que fizesse sentido para acalmar a minha insônia. Sentar num balcão de bar, padaria, anexos e pedir qualquer coisa pra enrolar o tempo. Deixar a noite seguir seu rumo. Até ouvir o galo cantar. E se não ouvir galo algum, que sejam as buzinas dos carros ou as badaladas do sino daquela igreja da Sé. Caso não ouça mais nada, é sinal que perdeu os sentidos. Voltar perambulando pelos calçadões, feito zumbi ou coisa parecida. Desviando dos pombos, das pessoas dormindo pelas calçadas , dos gatos revirando latões e sacos de lixo. A cantilena dos vendedores começa tão cedo que é impossível acreditar no horário que devem acordar. Os primeiros cheiros de cafés das padarias. E daquelas carnes sendo assadas pra virar sanduíches de dois reais. Barulho de portas de latão subindo. É o comércio abrindo os olhos pra ver o dia que acorda. Se pela madrugada existe comércio, com certeza, não é o mesmo tipo de serviço que vemos durante o dia. O ziguezague dos pedestres, aflitos, com hora marcada, cartão de ponto, mochilas, querem chegar ao trabalho. Caminhando. Vou caminhando. Os pés já não aguentam o calor do sol e das meias quentes. Antes fosse noite, tudo frio, corpo quase congelando. Os olhos secos, esbugalhados, a boca seca, o nariz igual um deserto de areia, a pele igual talco em porcelana. No caminho de casa é sempre a mesma coisa. Parece todo mundo igual. Gente família. O porteiro na sua casinha, folheando as últimas manchetes, ele distrai antes de entregá-las pros inquilinos do condomínio. O faxineiro lavando os calçadões e aguando plantas. Os moradores saindo em busca de suas rotinas diárias. Entro sem falar com ninguém. Só dou bomdia quando é preciso. Vou caminhando até os elevadores de madeira. Cheiram mofo e pinho. Igual caixas de figo em conserva. São decorados com alguns rabiscos pornográficos que algum qualquer fez. Aperto logo o 7º. andar. Pra chegar mais rápido. Vou logo abrindo a porta, entrando naquele apartamento que desconheço ser meu. Nunca tranco a porta. Ela sempre fica apenas encostada. Fechada. Porém, sem estar trancada. Quase nunca percebo estas coisas. Creio que a insônia me deixou com problemas demais pra resolver pelas madrugadas. E trancar uma porta é o menor deles. O mais insignificante. Agora, olho pra parede e vejo em um canto estes pares de tênis brancos. Estão na fila para serem lavados. Um dia. Quem sabe. Lavarei todos que estejam nos cantos. Sujos. Pisados. Lavá-los também é um dos problemas de menor significância. As madrugadas ainda são meu maior problema!
domingo, 8 de julho de 2007

Feriado em Sampa. Cidade praticamente deserta. Fui até um shopping próximo de casa e a situação era diferente. Lojas em promoções, clientes alvoroçados, filas pra comer ou pra ver um cineminha. Caixas eletrônicos abarrotados, cafés lotados, nada de estresse. É apenas feriado na cidade. Entro na loja Fast Shop somente para saber quando é que chega o tão novo celular da Apple. Alguns, dizem que é o supra-sumo do design e funcionalidade. Outros, crêem que seja um sub-produto. Exatamente por ter funcionalidades um tanto limitadas. Pois é. Na loja, não acreditei no que via : gente comprando notebooks, impressoras, cameras digitais, hdtvs enormes. Eis o mercado de consumo. Eu fico perguntando como esta gente deve ser feliz. Ou faz para ser. Pois, pra mim, a felicidade é algo que está acima do bem material. Comprar algo e ainda fazer aquela cara de felicidade. Eu matei minha curiosidade. A tal engenhoca chegará. Finalmente, ainda consumi um belo prato de comida italiana como almoço (sim, aos domingos eu costumo almoçar bem tarde). Volto pra casa e a situação é a mesma. Cidade pacata. A praça Buenos Aires vazia. Percebo que a estátua "Mãe" foi restaurada. Está lá. Toda branca e ao topo. Como é bom ter feriados. Olhar o pôr-do-sol, pensar na vida, por a literatura em dia. A música que toca no meu som é de uma banda de jazz : Art Blakey Quintet : "A Night At Birdland". Bucólica como o feriado!
sábado, 7 de julho de 2007
Orfeus : Vídeo noir

Orfeu
Na mitologia grega, este personagem era poeta e músico. Filho de Calíope, foi reconhecido como o mais talentoso músico. Tinha o poder de seduzir qualquer ser vivo quando tocava sua lira. E o dom de tranquilizar os animais selvagens. Dos 50 homens que atenderam ao pedido de Jasão para busca do velocino de ouro, Orfeu foi um destes. Orfeu, ao perder sua amada Eurídice, resolveu lutar até o fim para reencontrá-la. Mesmo que tivesse de falar com os Deuses. Quando deu conta da perda eterna de Eurídice, ele tornou-se um homem amargurado. Um dia, Orfeu caminhou até o rei dos mortos. Deixando tal rei incomodado ao saber que estava sendo importunado por um vivo. Porém, a música de Orfeu comoveu profundamente este rei. Orfeu queria que ele trouxesse de volta sua amada. O rei resolveu atender ao pedido de Orfeu. Mas com uma condição : que ele não olhasse jamais para Eurídice até que ela atingisse a luz do sol ao sair de um túnel.
E ao sair deste túnel, Orfeu olha para trás por um instante e vê apenas um fantasma. Então, descumprindo a promessa, perde para sempre sua amada. Por ter recusado olhar para qualquer mulher, por perder definitivamente Eurídice, certa vez, foi atacado. Furiosas por terem sido ignoradas, um grupo de mulheres selvagens atacam Orfeu, atirando dardos e pedras. Apesar de sua música tentar protegê-lo, os gritos das mulheres abafam seu canto. E, perdendo seus poderes, tornou-se frágil até morrer. Depois, mutilaram seu corpo e jogaram sua cabeça cortada no Rio Hebrus. Diz que ele morreu cantando o nome de sua amada. O que comoveu as mulheres e resolvem sepultá-lo no Monte Olimpo. Desde esta época, o canto dos rouxinóis tornaram-se mais doce. Estas mulheres selvagens, chamadas de Mênades, receberam castigo dos Deuses por tamanha crueldade. Foram sendo enraizadas até virarem árvores, fortes, robustas e imóveis. Até que um dia, secaram e caíram ao chão.
Este vídeo acima encontrei no Youtube. Chama-se "Orfeus". É um canto sinistro e o clipe de imagens sugere uma cidade européia fantasmagórica. O trailer é bom. Com uma vóz em off que parece alguém gemendo, ou um certo fantasma que preenche a cena deixando um tom sinistro e funesto. Tem uma fotografia pertinente de um personagem e que lembra Kafka na sua adolescência.

RAROS ENCONTROS
Quero a emoção dos beijos escondidos,
chantagem viva, rogo sem limites,
ao lume da lascívia traiçoeira
persuadindo a mulher que ainda resiste.
Acolho o titubeio da incerteza,
mudez e vozerio simultâneo,
nos rápidos encontros permitidos,
à luz da vela-amor indefinida.
Há montanhas de dúvidas perversas
afugentando o impulso e o meu desejo,
nesta trama voraz e clandestina.
Entretanto, não quero que se esvaiam
esses raros encontros do prazer,
junto ao corpo sensual que me alucina.
(Antonio.Kleber)
COMPAREÇA À GRANDE FESTA DA POESIA:
"ENCONTRO LATINO-AMERICANO DE POETAS" - Rio das Ostras - RJ - 2007, de 11 a 15 de julho/2007.
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Com certeza, é um filme teen retratado épocas atrás. Ambientado na França do século 17, Maria Antonieta quer imprimir a juventude de uma jovem austríaca ( Kirsten Dunst - a mesma de "As Virgens Suicidas" ) forçada a casar-se com um futuro Rei francês ( Jason Schwartzman - um ator desconhecido e sem sal ). A filhota do Coppolão passou muito tempo de sua vida dedicada na idéia de um dia fazer este filme. Logo, nossas espectativas vão na lua quando se trata de gente talentosíssima colocando o peso da caneta no papel. Isto é, nas telas. O filme tem um rítmo lento, e põe lento nisto. O que dá um ar poético, leve, sutil, pra contar a tragetória da futura Rainha. É um filme belo, tem belíssimas locações, lindos cavalos brancos, um figurino invejável ( não achei tão luxuoso quanto falaram. Acho que Copollinha poderia exagerar mais no luxo - só pra esnobar mais um pouco daquelas locações ). Entretanto, não gostei da fotografia. A trilha sonora é boa, vai de Air a New Order, muito moderninha e variável e não tem Madonna, como disseram. Entretanto, Sofia quer nos dizer da história, do quanto foi difícil pra Maria Antonieta assumir aquele imenso abacaxi que seria a coroa francesa. Sair da adolescência daquela maneira e assumir uma responsabilidade nas costas. Tornar-se Rainha. Em um período de miséria pro povo francês, numa época de guerras e revoluções, o que poderia sobrar pruma jovem senão suportar o peso da ignorância daquele povo ? E pagar por isto ? Ela vive neste filme boa parte de sua juventude deslumbrada, para poucos anos depois, amadurecer suas convicções. Já rainha não teve muito tempo. O filme termina exatamente em uma fuga. Eu entendi que o filme trata desta delicadesa e rebeldia da juventude ora aniquilada pela truculência da vida adulta de alguém com título de Raínha. Sofia Coppola quer falar deste estar ausente sendo presente. Do deslocamento. Do estar-se deslocado. É assim. Dizem que a França não mudou nada. Do xenofobismo. Deste expurgamento das impurezas. Dos costumes, das idéias, do nascer ao morrer. Daquilo que um estrangeiro sente na pele estando lá. Por isto, Cannes ficou tão inflamada com seus franceses ao verem este filme. Não aceitar a visão de um ianque. Mas é isto. Um filme leve. Dos três filmes de Sofia, imagino que este tem uma leveza da narrativa, como as coisas vão acontecendo, mas uma conotação muito forte, um sub-texto muito forte. Os outros dois anteriores vemos claramente as situações e propósitos. Este está mais mascarado. Não é uma história de época, como ela foi. É uma livre adaptação. Nada deste filme pode ser verdade ou mentira. Aliás, tem mais da mentira. A única coisa que vemos claramente é um filme que comenta a história de uma jovem, que poderia ser uma patricinha ou uma futura raínha jovem. O tema é a juventude perdida, a liberdade que é tirada a força, e a melancolia por assumir responsabilidades. Será este o mundo atual ? Sim. Isto está acontecendo em todo lugar.

NINA
Este é um filme inspiradíssimo na obra "Crime e Castigo", de Dostoiévski. Um dos poucos filmes brasileiros com uma proposta deste nível e admirável. A atriz Guta Stresser interpreta Nina, uma jovem repleta de problemas e metida em confusões. Creio que a atuação dela ficou um tanto forçosa, inevitavelmente pela idade da atriz diante do universo da personagem. Que no roteiro dá a impressão de ser muito jovem.
É uma das raras oportunidades para ver a ótima atuação de Myrian Muniz em seu último trabalho no cinema. Ela, por si só, dá um peso extravagante e belo ao filme.
Uma das melhores cenas deste longa é a sequência onde aparece a personagem prostituta, interpretada brilhantemente pela atriz Renata Sorrah. A fotografia é muito boa. Independente da maquiagem borrada de Nina, um tanto gótica demais.
Sinopse
"Nina (Guta Stresser) é uma jovem de sensibilidade agudíssima e mente fragilizada, que procura meios de sobrevivência numa metrópole desumana. A proprietária do apartamento onde mora, Dona Eulália (Myriam Muniz), uma velha mesquinha e exploradora, parece ter prazer em esmagar a vontade da sua inquilina exaurida. Em meio aos desenhos que faz em toda a parte e vivendo a agitada cena eletrônica de São Paulo, Nina mergulha nos fantasmas de seu inconsciente até acabar envolvida em um crime."
Nasce Morre
Haroldo de Campos
Ao enfrentar os quase 211km de congentionamento em SP, estava ouvindo músicas populares numa estação de rádio. De repente, um certo Arnaldo Antunes e seus Tribalistas para animar a festa. Percebendo com certa atenção, é como revisitar a Poesia Concreta ( os concretistas ). Não que estes "novos" sejam herdeiros de algo maior. São as referências. Posteriormente, resolvi fazer uma breve busca no YouTube e encontrei tantas pérolas. Como este poema de Haroldo (um dos fundadores do movimento concretista ou "Geração de 45" e, posteriormente, grupo "Noigandres"). Haroldo publicou um importante livro-poema "Galáxias". Tenho a edição de 84 e outra publicada recentemente pela editora 34.
Aposento. Aventuras para reflexão. Reduto da miséria humana. Depósitos. Entulhos antropofágicos do homem contrário. Ou a gaiola que aprisiona a liberdade animal. Um encarceramento dos animais racionais. Espaço para ...
Local: Cela do DOPS. "Departamento de Ordem Política e Social. Órgão repressivo do governo brasileiro durante o regime militar. Era neste prédio que os presos políticos sofriam torturas brutais para confissões. Atualmente, é um espaço cultural e ainda mantém sua extrutura original."
Livro de Bolso, noir, rápida leitura.A noite [Pesadelo]
Guy de Maupassant
Tradução: José Bento Ferreira
Ilustrações: Claudio Mubarac
Editora : CosacNeif
Uma jóia literária breve e certeira, de autoria de um dos mestres do naturalismo francês, Guy de Maupassant (1850-93). O autor cria neste livro um ambiente denso na noite da alma e nos gelos do rio Sena, em Paris.
As monotipias que ilustram a edição foram feitas especialmente pelo artista Claudio Mubarac, professor da Escola de Comunicações da Universidade de São Paulo e pesquisador de novos suportes para gravuras.
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Independence Day
Butoh : Poesia Pós-1945
Butoh é uma dança. E é arte, performance, teatro e poesia. Surgiu através de estudos de grupos de artistas inconformados e provocadores durante a década de 50. Queriam resgatar a memória individual e coletiva do povo japonês. Desta maneira, podemos afirmar que o Butoh nasceu deste insight, das tragédias ocorridas com os efeitos das bombas lançadas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki. Através da observação sobre os traumas provocados nas pessoas, como também, na forma em que os corpos foram encontrados. O simbolísmo desta dança é riquíssimo quando observamos as mensagens que os movimentos corpóreos comunicam, as músicas, o silêncio e olhar do ator-personagem. O fato de terem as mãos viradas para trás, com o contorcimento dos dedos, era exatamente assim que os corpos das vítimas foram encontrados : queimados e retorcidos.
Existe ainda a questão ligada à política, sociologia e filosofia. Como uma arte poderia dialogar com estas questões ? Da vangarda artística japonesa, admiro profundamente esta arte. Que tanto pode ser poética, imagética, quanto pode ser extremamente relevante quando mergulhada nas questões que nos instiga ao pensamento, por este olhar interior do homem. Buscando tal conhecimento das tragetórias que a história nos ensina. Ou, nos obriga a compreender.
Eis um livro belíssimo de Inês Bogéa, lançado pela Cosac&Naify : Kazuo Ohno. Infelizmente, a edição está esgotada. Tenho um exemplar deste autografado por Yoshito Ohno (filho de Kazuo).
terça-feira, 3 de julho de 2007
Um certo Machado (...)
Lembro que neste mesmo ano fui ver uma palestra do escritor Salman Rushdie, no Masp. Nesta época, Salman veio no Brasil para divulgação do livro “Furia”.
E não deu outra. Perguntaram pra Salman o quanto Machado De Assis era importante pra ele e do conhecimento da obra do escritor brasileiro.
Salman disse que havia uma lista de livros da América do Sul e de uma editora americana que foram apresentados à ele muito tempo atrás. Falou que os livros latinos eram raros na Inglaterra e tinham que importá-los dos USA ( bizarro isto não ? ). Tais livros surgiram antes das explosões latinas ( fiquei me perguntando o que seria “explosão latina” ). Por incrível que pareça, Borges viria depois. Salman disse que ficou atraído por estas literaturas “norte e sul” americanas. Das escolas judaicas e muitos livros americanos. Depois, comentou-se dos livros da América do Sul. Exatamente nesta ordem. E que estes livros vinham com umas capas surrealistas ( estratégias de marketing ? ). Pois, as capas eram chamativas e belas. Será que copiaram aquela idéia das capas dos lp´s de jazz ? Parece similar. Por incrível que pareça, este tema da importação aqui no Brasil é a mesma coisa. Os livros que são publicados na Europa demoram a chegar aqui. E vice-versa. Esta discussão sobre livros e autores desconhecidos. Engana-se quem pensa que estas listas dos mais vendidos trata-se de novidades quentinhas recomendadas. Que estamos “garimpando” do melhor. Existem milhares de escritores em nosso continente e no europeu ainda desconhecidos da grande maioria dos leitores da língua portuguesa. Trata-se de intercâmbio, pesquisa, busca, e que vai além do mercado editorial. Eu mesmo, encomendei outro dia um DVD de um filme do diretor siberiano Alexander Sokurov. E vou amargar esperando a demora da importação. Creio que Salman comentou muito bem esta questão do intercâmbio versus mercado. E do leitor especializado.
Quanto ao lançamento do Fúria, Salman resumiu que não acha que o teu romance trata apenas sobre vingança. Porém, sobre uma comédia negra. Vários aspectos da natureza humana podem ter diferentes significados de uma mesma coisa. Comenta-se. E esta mesma coisa é o que deu a ele vontade em dar o título de Fúria. E tinha prometido colocar estas duas visões sobre o tema no livro.
O interessante das falas de Salman é o quanto ele valoriza a mistura cultural. Dizendo valer a pena. Talvez, tenha esta visão por ter vivido tanto tempo entre cidades como Bombaim ( que diz assemelhar-se muito com a cidade de São Paulo ), Londres e NY. Quanto ao seu método de produção ele diz não saber ao certo. E se soubesse, brincou que venderia em garrafas. “Uma coisa é querer, outra coisa é ser”. Me parece que ele sempre soube que seria escritor. E ainda faz uma boa ponte entre o que ele pensa e o que o mundo pensa ao debruçar sobre suas criações.
Finalizando, sobre os escritores que influênciou seu trabalho e o que é preciso para ser bom, Salman diz : “Quando você começa como escritor, você começa a se comparar com outros clássicos ou contemporâneos. Querer ir por um certo estilo e gênero. Depois de um tempo, isto já não influencia mais.”
E isto tem muito à ver com um debate recente que pude assistir sobre literatura latina e o mercado global da literatura, prosa e poesia.
Os Demônios Estão Soltos!

4 novos lançamentos pela editora Demônio Negro. Especializada em livros artesanais e "on demand". Aos interessados, enviar email para vanderleymeister@yahoo.com.br
Ana Rüsche, Poeta e Advogada, lançou em 2005 o ótimo (recomendo) livro de poesias "Rasgadas". Agora, lança o inédito "Sarabanda", pelo selo Demônio Negro.
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Apolítica

Quê?
Alan
Põe …
dormir
É silêncio !
Hamlet
Poe! Já colocou o Preto
para dormir ?
Senão ... não verás seu corvo
black-freak hoje à meia-noite
É!
de cortinas-histórias e
lustre importado de
educação francesa
Tento enxergar
pela penumbra
tua sombra
Porque ...
Fui ver
Linda,
gélida,
forte-
fraca-
mulher-
mitológica
Este foi teatro
Você é real
This is the question!
Sente-se
Para ouvir meu brado
Enquanto Poe faz um café
Eu não me interesso
pelo teu corte de cabelo ... mas
E pela sua técnica vocal
Agora, entrei para a-po-lí-ti-ca
Esta diarréia de ordens avec
Não
Entrei pruma escola
De artes
Dramáticas
E política.
Flap 2007 (Soy Loco Por Ti América)
No circuito teatral : Trindade
Trindade, espetáculo que entrou em cartaz no teatro da Aliança Francesa, é uma peça que conta uma história no início de 1900. Escrita pelo autor e diretor Caio de Andrade. O texto é muito perspicaz. Exatamente por equilibrar questões humanas, atemporais, com situações políticas que assemelham ao nosso cotidiano. Luciano Chirolli dá um peso exato ao teu personagem. Ele tem uma dramaticidade admirável. Eu não tinha visto Pedro Neschling no teatro. E fiquei encantado e admirado com sua maturidade enquanto jovem-ator. Contribuindo com a evolução do personagem. Muito nítida sua interpretação e fértil tanto para ação quanto poesia e reflexão. Muito boa peça. A trilha sonora nos dá um sabor extra para o espetáculo. Com músicas de RadioHead e outros gêneros similares. No cenário tem um galho seco gigantesco pendurado ao fundo, o que dá a impressão de ser uma fotografia noturna. Por estar de ponta-cabeça sugere uma árvore genealógica ! Afinal, a história fala de famílias. A cenografia é muito simples, deixando os atores livres para ocupar o espaço e criar seus movimentos. Que evoluem no decorrer da história. Os personagens tem seus momentos com ótimos monólogos curtos. O que enriquece ainda mais o universo de cada um deles. Caio surpreende sempre. Foto: site revista Cult.
domingo, 1 de julho de 2007
"Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado"

Algum tempo atrás, Tim Story havia prometido uma sequência melhor pra série do que o filme lançado em dvd no ano de 2005. Fui conferir a pré-estreia neste final de semana e não surpreendi muito. As cenas de ação, talvez, não somam 20 minutos das sequências do filme. É um longa recheado de ação, sem dúvidas. Entretanto, deram uma carregada no melo-drama. Os Quartetos estão famosos e ricos. Enfrentam aquela vidinha chata de gente famosa. Com notícias em jornais televisivos, casamentos concorridos, problemas existenciais, dramas pessoais e muita pesquisa científica. Eis o cotidiano do Quarteto. Tão famosos nos HQs e, no telão, ganham outra dimensão. Sem sombra de dúvidas, a melhor coisa nesta série é o personagem Surfista Prateado. Engana-se quem imagina que são os super-poderes do Quarteto. Ou ainda, a dúvida da mulher invisível ( Jessica Alba ) e Dr. Richards para largarem tudo e casar. Tornarem "pessoas comuns". Aliás, Jessica aparece com um cabelo loiro-palha horrível. Aquela mulher com aquele corpão (com direito a capa da Playboy e tudo), que fica invisível, não conseguiu escapar da alta-definição das novas cameras de filmagem. Dá até pra ver restos de rimel numa maquiagem boba. E o homem elástico (Dr. Richards), ora aparece com rugas ora aparece rejuvenescido. Estranho não ? Será o fato de ser de borracha ? Enfim, a gente perdoa certos truques, exageros, excessos desnecessários. Falta de estética cenográfica. O filme tem tanto cenário artificial, apartamentos, laboratórios, com tamanha frieza, que é impossível acreditar que alguém viveria naqueles lugares. Tem muita exatidão e despropósito, o cenário chega a ser bucólico e ingênuo. Ainda locupletaram de uma dramaturgia cheia de historinhas dramáticas. Demasiadamente humanas para "4 super heróis" tentarem nos comover. Não existe um contraste na altura dos sentimentos que os personagens heróis tentam humanizar. A interpretação dos atores é um tanto inadequada neste sentido. Um ponto interessante são as tomadas externas. Com locações diversas, incluindo imagens via-satélite do planeta terra e do espaço. Voltando ao personagem Surfista Prateado, brilhantemente interpretado pelo competente ator-performer Doug Jones. Ele emprestou seu talento para que o personagem fosse totalmente criado no computador. Doug tem apenas 1.98m de altura, é magro e esquisito. Ele consegue ser carismático com um personagem tão sombrio e cheio de ação. Dando um tom de interpretação incrível para este personagem-cult, Surfista Prateado. Neste episódio, ele age em nome de Galactus, o destruidor dos planetas. E luta contra o quarteto para conseguir seu objetivo : salvar seu planeta e sua amada. Porém, muita coisa acontece. E ao conhecer Susan Storm, seus diálogos fazem do Surfista refletir sobre tudo. Passado e futuro. Colocando de lado sua filosofia e jeito zen, suas origens e lançando um olhar em prol do planeta terra. Voltando seu olhar à questão da sobrevivência deste planeta. É bem aquela visão do estrangeiro, do outsider, que vai criando uma opnião sobre uma sociedade, país e seus povos. Ele acaba por acreditar que pode mudar - no último instante - o destino. E acaba por inverter o rumo das coisas. Nem que custe sua vida (e a vida do teu planeta !).Os últimos minutos do filme é arrebatador. Lutar em prol de que e para quem ? O bem contra o mal. Enfim, o planeta terra ainda permanecerá vivo por quanto tempo ? Enquanto o quarteto viver nas telinhas, a gente acredita.
PS : O 2o. filme sobre os Quartetos arrecadou quase meio bilhão de dólares. Neste filme que estreou, só o personagem Surfista Prateado pegou boa parte da verba do filme. Os estúdios FOX colocaram seus "homens" na construção dos efeitos especiais e do personagem prateado. E as sequências de ação estão em boa dose de adrenalina.
Curiosidades sobre o ator Doug Jones :
Sapien in Hellboy
On "Urban Rush" in Vancouver
Labyrinth
Processo de criação do "Fauno"


